Pedreiras: Chiquinho. A trajetória de um grande homem que pediu até esmola

Momento que Chiquinho recebe das mãos de Antônio Barreto, a camisa com a estampa de Mané Garrincha/Foto: Sandro Vagner

Francisco das Chagas Sousa, ou simplesmente “Chiquinho”, natural de Santa Quitéria-Ma, nasceu aos 02/05/1944, 73 anos de idade. Ex-jogador do Treze de Brasília e Atlético de Pedreiras, teve o grande prazer de jogar contra um dos maiores nomes da história do nosso futebol, o saudoso Mané Garrincha, quando passou por Pedreiras, no dia 26 de agosto de 1973, durante uma partida amistosa entre Palmeiras x Atlético, no então estádio Marechal Castelo Branco, hoje, Antônio Pereira de Sousa “Pilizão”, para arrecadar fundos devido a situação financeira que passava. Chiquinho, na época no auge de sua carreira, defendia a antiga e considerada lateral esquerda do Atlético, e por ironia do destino foi o marcador de Mané, ou pelo menos, segundo conta o próprio, só tentou, por que o homem era muito habilidoso. Naquela oportunidade, Garrincha teria jogado pelas duas equipes, no primeiro tempo pelo Palmeiras, e no segundo tempo defendeu o Atlético, momento que Chiquinho aproveitou e tirou um retrato com o grande ídolo. Garrincha chegou a brincar com o amigo: “você é baixinho, tu é mais baixo do que eu“. Nesse jogo histórico, nos contou Chiquinho, Mané Garrincha por ter gostado muito do jogo do ponta direita Riba de Alonso, que tinha chegado da equipe do Sampaio Corrêa, fez questão de presentear, Riba, com suas chuteiras. Chiquinho lembrou, inclusive, as palavras de Garricha que foram direcionadas ao Riba de Alonso: “Olhe, aqui, é para você. Você tem futuro“.

Fizemos questão de contar um pouco desse momento histórico vivido por Chiquinho, devido a homenagem que o mesmo foi merecedor, e recebeu  ontem (13), dia dos pais, dos amigos Leocardino, Antônio Barreto e de todos que compõem os “Mãos Unidas”, lembranças que o fizeram chorar e voltar ao passado.

As homenagens

Fotos: Sandro Vagner

Chiquinho recebeu uma placa pelo Dia dos Pais. Um porta-retrato com ele e Mané Garrincha, e uma camisa do Fluminense, time de coração, estampada com as fotos deles, Chiquinho e de Garrincha. “Eu chorei, Sandro. Você imagina um homem com 73 anos chorando no meio do povo! Foi impressionante. Agradeço a todos vocês, de coração; foi muita coisa. Minha família durante o almoço do Dia dos Pais, se emocionou com as homenagens que recebi“, disse Chiquinho.

Tristes e boas lembranças

Francisco das Chagas “Chiquinho”, chegou a Pedreiras no ano de 1970, aos 13 anos de idade, após perder a mãe. Antes, chegou a morar em Parnaíba/PI. Em Pedreiras, depois que o tio se separou da esposa, Chiquinho ficou morando com o jogador “Sabugo”, sendo criado pela mãe dele. “Tive uma vida muito sofrida, cheguei a dormir no chão, cheguei a comer de esmola! Tive depois, uma passagem com meu pai depois de dez anos, me encontrei com ele, muito doente. Depois de um ano, ele perdeu a perna, depois me disse: “Meu filho, segue teu caminho e Deus te abençoe”.  E Deus me abençoou, e hoje sou essa pessoa feliz. Vocês dos “Mãos Unidas” são minha família”

“Mãos Unidas” e amigos de Chiquinho/Foto: Sandro Vagner

Chiquinho foi vice-campeão em Sobradinho/DF, pelo Treze, só não alcançou o título de campeão, por que o time teria colocado um jogador irregular, e a equipe perdeu os pontos, ficando em segundo lugar. Em Brasília, Chiquinho era conhecido como “Maranhão”, ao ponto de ser reconhecido por muita gente em Brasília, quando pegava ônibus.

Fotos: Sandro Vagner
Foto: Sandro Vagner

As homenagens prestadas ontem (13) a Chiquinho, ainda são pequenas diante da vida de amor, dedicação e fidelidade ao próximo, pelo belo trabalho reconhecido por todos.

Fotos: Sandro Vagner

Quer conhecer o verdadeiro ser humano, pare para ouvir sua história.

Chiquinho e Sandro Vagner/Foto: Antônio Barreto

Por Sandro Vagner

3 comments on “Pedreiras: Chiquinho. A trajetória de um grande homem que pediu até esmola

  • Achei interessante a história do Chiquinho não sei se cheguei a conhecê-lo, pois sair daí por este período, quanto ao Riba de Alonso pelo que vi no Rio na época e olhe que tinha na época só cobra: Rogério, Zéquinha, Jairzinho, Gil e por aí vai com toda sinceridade se Garricha falou eu também falava para os cariocas, que onde eu morava que era (Pedreiras) tinha um ponta-direita que também seria titular em qualquer time do Rio naquela época até no meu caso eu dei show no Rio fui até convidado para ir treinar em um time, mas isto é outra história.

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