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| Allan Roberto – Médico |
Se eu não fosse médico, seria historiador ou sociólogo. Costumo observar os fatos sociais pelo prisma da História e/ou do Cientista Social. A respeito desses atentados em Paris e do terror que o Estado Islâmico impõe em suas práticas de guerra, vejo as pessoas em solidariedade à França mudando suas fotos de perfil no Facebook e WhatsApp para a bandeira francesa. Belo gesto de solidariedade. Mas eu não o faço! Não por apoiar o terror ou não ser solidário à França! É que entendo que a situação da violência e da corrupção no Brasil é tão mais grave e faz diariamente muito mais vítimas, e esse é o pior tipo de terrorismo que existe, que eu preferiria então botar no meu perfil a bandeira brasileira.
E só lembrando: o Estado Islâmico, autor dos atuais atentados, foi ajudado pelos Estados Unidos e pelas potências européias para derrubar o ditador egípcio há 05 anos. A partir daí ele se fortaleceu.
Da mesma forma que Saddan Hussein foi gestado pelos mesmos Estados Unidos na guerra Irã x Iraque nos anos 80 e transformou-se naquele monstro indomável e sanguinário.
É assim: eles criam os monstros, os alimentam e vitaminam, suas criaturas voltam-se contra seus criadores, eles perdem o controle sobre seus monstrengos e o mundo torna-se refém desses bárbaros que eles criaram para seus objetivos políticos e econômicos em outras nações no passado. Depois têm que gastar milhões de dólares e ceifar milhares de vidas para combatê-los…
Minha solidariedade às vítimas. Mas minha reflexão crítica a essa forma de fazer política internacional desrespeitando soberanias e culturas seculares.
E entendam: enquanto apenas 09 economias mundiais dominarem as mais de 200 outras existentes, não haverá justiça social no mundo. O maior vai sempre querer sugar e mandar no menor, que se defenderá da forma que puder e lhe é peculiar.
Nosso país é campeão em violência e corrupção. E o que é a corrupção se não a pior forma de terrorismo e violência, aquela violência silenciosa, sem bombas ou fuzis, que mata sem uso de armas barulhentas. Mata pela falta de assistência à saúde, à educação, mata de fome, mata de sede, e nos cobre de vergonha mundo a fora pela impunidade lavada a jato, para que o povo de curta memória esqueça de tudo e a permita permanecer ad eternum.
Por que não nos cobrimos com a bandeira da cidade mineira de Mariana pelo desastre que sofreu de prejuízos ecológicos incalculáveis, 500 mil pessoas sem água potável, dezenas de mortos patrocinadas pela corrupção da falta de fiscalização e manutenção daquela barragem, pois as empresas proprietárias visavam mais o vil metal que o material humano e biológico do entorno?
Solidariedade, sim! Mas não mudaremos o mundo se não começarmos as mudanças primeiro por nós, por nossa casa, nossa cidade, nosso país.

