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Pedreiras: “O Lixo”, lançado em 1974, de autoria de João de Sá Barreto, já previa o lixo de hoje

Fotos: Sandro Vagner e Ribinha da FM

Essa não foi a primeira e nem será a última gestão municipal a deixar a cidade tomada por lixo ao fim de um mandato. Certo? De jeito nenhum! É triste, melancólico, estupefato, medíocre, deplorável  e desprezível.

Mas, até parece que esse cenário sombrio, o lixo, já faz parte dos planos maléficos de quem perde eleição, estando no poder e tendo a certeza que jamais ocupará o cargo mais uma vez, por que sofrer uma vez é aceitável, mas manter o erro é inaceitável.

Impossível acreditar que é satisfatório um gestor deixar uma cidade jogada aos urubus, aves que vivem de restos, mas, ainda assim, ajudam na limpeza, ao seu modo.

Para um ser que sonhava em dias melhores para seu Município, mas ao sair deixa a cidade na situação que está, pode-se dizer que apenas cumpria com seu papel de ocupar um cargo, mas nunca encarou com total coerência assumir o verdadeiro papel de um administrador, que para fazer o bem sem olhar a quem, seria capaz de tudo, menos o desdém.

Motivos para tentar explicar a real situação que passa o Município de Pedreiras, não faltam. Resta a POPULAÇÃO acreditar ou não.

João de Sá Barrêto – Poeta (Autor do Poema “O Lixo”/1974)

No ano de 1974, o saudoso Poeta João de Sá Barrêto escreveu o poema “O Lixo”, ele retratou o lixo em dois sentidos, o próprio lixo, esse que hoje toma conta da cidade, e o lixo “maus políticos”. João Barrêto previa que o futuro não seria diferente do ano que escrevera muito bem o poema.

Como não é mera coincidência, “O Lixo” pode ser considerado o poema mais atualizado do momento, retratando o que vive o pedreirense.

Veja essas sextilhas, por exemplo:

Depois de cada eleição,
Só resta a decepção
E o desencanto do povo
Que, por ter acreditado,
Vê que o pinto tão chocado
Não sai da casca do ovo.

É tanto que, em Pedreiras,
Existem muitas sujeiras,
Desde os tempos do passado.
E se alguém conta tomou
Das imundices que achou,
Porcarias tem deixado.

Quem passa pelo mercado
Vê lixo por todo lado,
E é lixo de montão.
É desse lixo raçudo
Vai cobrir aquilo tudo,
E não custa muito, não.

Tem lata velha rolando,
E o pessoal jogando
Rato morto, cururu,
Penicos cheios de bosta…
Tudo, ali, o povo encosta.
Já baixa até urubu.

Cebolas podres e ossadas
Que sobram das paneladas
Daquelas bancas sebosas;
Restos velhos de comida,
Até panos de ferida
E outras coisas mal cheirosas.

Ali fede prá inferno!
Quando chegar o inverno
Quem é que vai suportar?
Cá na minha opinião
Vai correr até o chão,
Procurando outro lugar.

E não ache graça, não,
Porque a situação
É a mesma, em todo canto.
Para onde a gente olhar
Só não vê lixo é no ar,
Porem nem isso eu garanto.

É a cidade do lixo,
E até parece um capricho:
Tem lixo que usa boné;
Tem lixo gordo e cevado;
Já teve lixo importado;
E tem lixo coxolé.

Veja a íntegra do Poema “O Lixo” (João de Sá Barrêto, lançado no ano de 1974)

O LIXO

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