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Rio: Ator e comediante Lúcio Mauro morre aos 92 anos

Lucio Mauro posa ao lado de Lucio Mauro Filho Foto: Rogerio Resende / Agência O Globo

O ator e comediante Lúcio Mauro morreu na madrugada deste domingo, aos 92 anos. Ele estava internado há dois meses na Clínica São Vicente, em Botafogo, devido a problemas respiratórios. O corpo do ator será velado nesta segunda-feira, no Teatro Municipal, das 9h às 14h.

Seu filho, o também ator Lucio Mauro Filho o homenageou num texto publicado no Facebook: “Papai foi um pioneiro, saiu do teatro de estudante lá no Pará, foi pro Recife, fez rádio, inaugurou a televisão no Nordeste e de lá, veio para o Rio de Janeiro pra se tornar um dos maiores artistas deste país”.

As palavras de Lúcio Mauro Filho são precisas. Nascido em Belém do Pará, em 1927, Lúcio Mauro contava que desde criança tinha o sonho de entrar no Teatro da Paz, a monumental sala de sua cidade natal. Aos 11 anos, conseguiu pela primeira vez, aproveitando a distração dos porteiros.

— Encantava-me com as peças, o palco, as luzes, os artistas — disse o artista ao GLOBO em 2008. —  Mas, à época, ter artista na família era uma vergonha. Meu pai não gostava da idéia, mas minha mãe disse : “Lúcio Mauro não tem só pai, tem mãe também. Temos que escutá-lo. É isso que você quer ser?” Eu tinha 17 anos, disse : “É.” Ela falou ao Mário : “Espere um instantinho.” Pegou uma maleta de couro, botou duas calças, quatro camisas, quatro cuecas, duas meias e me disse : “Vá.”

Em 1972, no programa “Alô, Brasil”. Da esquerda para a direita: Lilico, Celia Biar, Paulo Araujo, Lúcio Mauro, Ivan de Castro, Arlete Sales e Renato Corte Real Foto: Arquivo

Lúcio Mauro começou a carreira no teatro estudantil. Com pouco mais de 20 anos, entrou para a companhia de teatro de Mário Salaberry — e ao lado do mestre sofreu um acidente que marcou sua vida e sua carreira. Os dois iam de carro de Belém para o Rio quando, próximo a Petrolina, o carro capotou:

— Ele morreu na hora, nos meus braços. Meu rosto ficou uma posta de sangue. Os vidros entraram e cortaram tudo. Fui costurado com agulha que se costura saco, sem anestesia. Não tinha cirurgião plástico naquela época. Vi que fiquei completamente deformado, mas depois me acostumei, e o público também — contou o ator em entrevista ao GLOBO, referindo-se às cicatrizes de seu rosto que se tornaram uma característica sua. — As marcas começaram a fazer parte da minha personalidade, deram mais força a meu rosto. Ele é expressivo mesmo com os defeitos. Senti que minhas dificuldades para conseguir meu intento de ser ator, de ser galã, tinham aumentado com o acidente, mas Deus foi generoso, e seis meses depois já estava trabalhando. E eu também pensava: “Em cara de comediante não se deve mexer”.

Passado o trauma, o ator se juntou à companhia de Barreto Júnior, na mesma época em que se casou com a atriz Arlete Salles. Sua estreia como humorista na televisão se deu em 1960, com a inauguração da TV Rádio Clube de Pernambuco, na qual participou do programa “Beco sem saída”. Em 1963, ele se mudou para o Rio, onde trabalhou na TV Rio e na TV Tupi, em episódios do GRande Teatro Tupi. Em 1966, fez sua estreia na Globo, no humorístico “TV0-TV1”. Dois anos depois, criou e dirigiu o “Balança mas não cai”, que marcou época na TV brasileira. Foi lá que apareceu pela primeira vez o personagem Fernandinho, marido da amorosa e pouquíssimo inteligente Ofélia (vivida então por Sonia Mamede e décadas depois reeditada no “Zorra total” por Claudia Rodrigues).

No fim da década de 1970, em “Chico City” voltou a ganhar um personagem que se tornaria popular e o acompanharia por anos: Da Júlia, diretor do canastrão Alberto Roberto (vivido por Chico Anysio) no final da década. Novamente ao lado de Chico, viveu Aldemar Vigário, o aluno puxa-saco da “Escolinha do Professor Raimundo”. No papel, travava batalhas verbais com Chico, amigo de longa data, provocando-o com fatos da infância e juventude do humorista — muitas vezes informado por testemunhas:

— Recebi uma carta de um padre do Ceará contando que a primeira vez que Chico fez sexo com uma prostituta foi atrás da igreja. Eu falava essas coisas, e ele ficava louco, não imaginava como eu sabia — contou o ator em 2008.

Velório será no Teatro Municipal

Nos programas humorísticos ou em outros como “Malhação”, “Você decide”, a série “Dona Flor e seu s Dois Maridos” e novelas como “Pecado capital”, “Paraíso tropical” e “A favorita”, Lúcio Mauro seguiu atuante. Aos 80 anos, estreou a peça “Lucio 80-30”, ao lado de seus filhos. Na época, brincou:

— Pensei que ia morrer com 80, mas Deus me disse: “Vou dar mais uns anos para você fazer essa peça. Se ficar bom, a gente espicha. Se não, te mato”.

No mesmo período, o ator se destacou no filme “Feliz Natal”, estreia de Selton Mello como diretor. Sua filmografia inclui obras como “Terra sem Deus” (1963), de José Carlos Burle; “Redentor” (2004), de Claudio Torres; e “Cleópatra” (2008), de Júlio Bressane.

Em 2012, o ator foi internado após fraturar o fêmur. Em 2016, sofreu um derrame. Desde então vinha tendo cuidados intensivos em casa.

Fonte: oglobo.globo.com

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