
A Polícia Federal deflagrou hoje (21/5) a operação Arthros com o objetivo de desarticular organização criminosa responsável por desvio de recursos públicos e financiamento ilícito de campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, no Maranhão.
As investigações identificaram um esquema estruturado e sofisticado que utilizava empresas de fachada, contratos simulados e notas fiscais frias para dissimular a origem de recursos públicos, que eram canalizados para campanhas eleitorais. O grupo também operava por meio de contas bancárias de terceiros e realizava saques em espécie e transferências fracionadas, prática típica de lavagem de dinheiro destinada a dificultar o rastreamento das operações.
A apuração revelou que, nos 15 dias que antecederam o pleito eleitoral de 2024, foram movimentados valores superiores a R$ 1,9 milhão, com a distribuição de mais de R$ 1,2 milhão a candidatos e intermediários. Há indícios de que parte significativa desses recursos tenha origem em contratos públicos, desviados para fins eleitorais.
As evidências reunidas demonstram a atuação coordenada dos investigados, que teriam exercido papel central na definição dos valores, escolha dos beneficiários e operacionalização dos repasses, por meio de um verdadeiro gabinete paralelo de financiamento eleitoral ilícito.
Até o momento, foram identificados vários candidatos beneficiados pelo esquema, em diversos municípios do estado. Os repasses ocorriam de forma pulverizada, inclusive por intermédio de pessoas interpostas, indicando clara tentativa de ocultação do destino final dos recursos.
Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, além do afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados, afastamento de 04 servidores públicos e indisponibilidade de bens no valor de R$ 2 milhões. As diligências foram realizadas nas cidades de São Luís – MA, Paço do Lumiar – MA, Barreirinhas – MA, Codó – MA, Matões – MA e Teresina-PI.
As medidas visam aprofundar a coleta de provas, identificar a extensão do esquema criminoso, recuperar ativos desviados e interromper a continuidade das práticas ilícitas.
Os investigados poderão responder pelos crimes de caixa dois eleitoral, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra a Administração Pública e desvio de recursos públicos, além de outras infrações penais conexas.
(fonte: Assessoria de Comunicação da Polícia Federal do Maranhão)
Rubens Pereira foi alvo da operação
Entre os alvos da operação está o ex-deputado e ex-secretário de Estado de Articulação Política, Rubens Pereira. A PF cumpriu mandado de busca e apreensão em sua residência.
Em nota, Rubens Pereira confirmou a operação e afirmou que a investigação tem relação com as eleições de 2024, período em que ocupava a Secretaria de Articulação Política do Governo do Maranhão.
O ex-secretário declarou que, em mais de 40 anos de vida pública, nunca havia sido alvo de uma operação da PF e destacou que nem ele nem familiares participaram das eleições daquele ano como candidatos.
Rubens Pereira também afirmou que ainda não teve acesso aos fatos que motivaram a investigação, mas disse confiar na apuração policial e declarou ter “consciência tranquila” de que não cometeu irregularidades. Segundo ele, já se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
fonte: imirante.com
