Ícone do site Portal Sandro Vagner

Acre – Ponte desaba no interior deixando feridos. Ela tinha sido inaugurada há dois anos

Weverton Murieta, um dos sobreviventes do desabamento de parte da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, que deixou quatro pessoas feridas nessa sexta-feira (5), relatou que ele e os outros três feridos estavam em cima da ponte no momento do desastre.

Feridos do acidente são Edinaldo Muniz, Edinei Muniz, Weverton Murieta e Antônio Morais Filho — Foto: Reprodução

Ele trabalha com Antônio Morais Filho descarregando um caminhão de mercadorias e voltavam para casa quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e o irmão dele, Edinei Muniz, em cima da ponte interditada desde a quarta-feira (3) por risco de desabamento às margens do Rio Iaco.

Weverton recebeu alta na manhã deste sábado (6). Conforme o trabalhador, Edinaldo pediu a eles que mostrassem a rachadura na ponte e decidiram acompanhar o ex-magistrado.

“Eu disse: ‘Rapaz, então bora acompanhar ele, que é doutor’. Ele perguntou para mim onde é que era a falha da ponte, pediu para ir com ele, aí quando eu passei na frente para mostrar para, eu cheguei pertinho para mostrar, a ponte desabou”, contou.

Weverton contou ainda o que lembra do momento da queda. Ele chegou a cair no fundo do rio e se agarrou à própria estrutura que desabou para não voltar a afundar.

“Eu desci direto para o fundo do rio, encostei no fundo do rio, consegui boiar debaixo da ponte, fiquei procurando um canto, nadando debaixo da ponte. Subi em cima da ponte de novo, que estava arriada”, disse.

Antônio Morais foi um dos feridos em estado gravíssimo, com traumatismo. Ele foi transferido para a capital, assim como os irmãos, Edinaldo e Edinei Muniz. Ainda não há atualização do estado de saúde neste sábado (6).

Weverton Murieta relatou ainda que viu o Antônio ferido e conseguiu gritar por socorro. “Eu corri em cima da ponte procurando o meu amigo, vi ele deitado, tinham uns ferros nele. Vi que estava respirando e comecei a gritar ‘socorro, socorro'”, acrescentou.

Estado de saúde

 

De acordo com a Secretaria de Saúde (Sesacre), este é o estado de saúde dos sobreviventes na manhã deste sábado (6):

  • Edinaldo Muniz dos Santos, 54 anos – Permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro de Rio Branco, com quadro gravíssimo. Passou por cirurgia para correção de fratura pélvica, além de traumatismo cranioencefálico grave. Segue sob ventilação mecânica e monitoramento contínuo da equipe multiprofissional.
  • Ednei Muniz dos Santos, 51 anos – Quadro clínico estável, em ar ambiente. Também internado no Pronto-Socorro de Rio Branco, com fratura de antebraço e segue internado, com programação cirúrgica em andamento.
  • Antônio Morais Lima Filho, 36 anos – Quadro clínico estável, em ar ambiente. Sofreu fratura de fêmur e permanece sob acompanhamento das equipes assistenciais do Pronto-Socorro, com programação cirúrgica em andamento.
  • Weverton Murieta, 34 anos – Após avaliação médica, realização de exames e atendimento dos ferimentos apresentados, recebeu alta hospitalar neste sábado por apresentar quadro clínico estável.

Quem mora nas áreas próximas à ponte em Sena Madureira também passou por um susto com o desabamento. O estudante Marcos Henrique, de 18 anos, relata que ele o avô ouviram um estrondo e chegaram a pensar que era a casa deles desabando.

“Começou tudo a chacoalhar, aí começamos a escutar um barulho, aí de repente tem aquele barulho aquele estrondo. Eu saí e meu avô disse: ‘A ponte caiu’. Vi a fumaceira, corri, quando eu olhei a ponte estava caída, todo mundo em desespero, correndo. E foi desesperador porque a gente achava que tinha sido aqui [em casa], né, pelo fato de, como a gente mora à beira de barranco, entende-se que é sempre pior para a gente’, conta.

Trecho da ponte desabou no começo da noite desta sexta-feira (5) — Foto: Arquivo/ Corpo de Bombeiros de Sena Madureira

A ponte tem 232 metros de extensão, duas pistas para veículos e calçadas para pedestres. A obra custou mais de R$ 36 milhões e foi inaugurada há cerca de 2 anos e meio.

fonte: g1.globo.com/ac

Sair da versão mobile