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Copa do Brasil: Cruzeiro derrota o Flamengo nos pênaltis e conquista o penta

A frustração de Guerrero com a derrota do Flamengo nos pênaltis – Alexandre Cassiano

Grandes clubes, com grande capacidade de investimento, precisam estar nas grandes decisões, disputar títulos. O Flamengo saneou suas finanças, melhorou seu elenco com jogadores de peso, frequentou o alto da tabela do último Brasileiro e ontem jogou a final da Copa do Brasil. Mas não basta. Há um compromisso que o Flamengo ainda não consegue cumprir, um passo adiante que o clube não consegue dar. E que também é papel dos grandes clubes: agigantar-se nas grandes ocasiões, conseguir se impor nos grandes jogos. Ontem, voltou a entregar menos do que se podia esperar num jogo crucial, este no Mineirão, após ter feito bom jogo no Maracanã. E perdeu outro jogo crucial: 0 a 0 no tempo normal, 5 a 3 nos pênaltis para o Cruzeiro.

Houve equilíbrio em boa parte do tempo, mas sempre uma sensação de um pouco mais de ambição do outro lado, não do Flamengo. E, por mais cruel que pareça, Diego, um dos símbolos deste clube mais capaz de investir e brigar por grandes nomes, foi o rubro-negro a desperdiçar sua cobrança após um jogo em que fora pouco influente. Chegou-se a apostar, talvez num toque místico, que Muralha pudesse viver sua redenção numa disputa por pênaltis. Mas o nome decisivo foi Fábio, 36 anos, ídolo do clube mineiro. Se decisões testam a personalidade, a experiência, a vivência, não é de estranhar que outro jogador de idade avançada tenha se destacado. Se o Flamengo não venceu, não foi por causa de Juan, 38 anos. Um dos melhores do time no Mineirão.

Finais assim costumam ser um exercício de moderação de riscos. Cada passe é medido, cada pequena ousadia é ponderada. Foi o ponto que uniu Flamengo e Cruzeiro. Quanto às estratégias, havia duas formas diferentes de tentar chegar ao gol.

O Flamengo buscava um jogo mais elaborado, cadenciado, tentando abrir espaços movendo a bola, que passava longo tempo nos pés dos defensores até a tentativa de um passe na direção do ataque. O Cruzeiro apostava num jogo mais direto, em buscar mais rapidamente os atacantes, buscando punir erros de saída de bola rubro-negras. Colocando na balança as chances criadas e perdidas, a proposta cruzeirense andou mais perto de mexer no placar.

Muralha pula para o canto errado na cobrança de pênaltiFoto: Alexandre Cassiano

O Flamengo jamais chegou à área rival em condição de finalizar, voltava a ser o time com aparente controle da partida mas sem contundência. Guerrero lutava contra a defesa rival, fazia bom jogo, dentro das possibilidades que o time oferecia: saía da área para ser opção de passes, esperava a aproximação do time. E cobrou uma falta no travessão. Mas faltava mais presença dos pontas perto do gol e apoio dos laterais. Em especial Trauco, opção de Reinaldo Rueda ontem, que tem como ponto forte mais a construção de jogadas do que o combate.

No mais, o jogo imaginado por Mano Menezes deu alguns frutos. Fala-se que detalhes decidem finais e um drama pessoal quase cumpriu a regra. O jovem Raniel saiu machucado e aos prantos aos três minutos. E a entrada de Arrascaeta desequilibrou a marcação rubro-negra. O uruguaio saía do centro do ataque e, pela esquerda, juntava-se a Alisson para bater Pará. E foi em recuperações de bola com o Flamengo saindo para o jogo que Arrascaeta e Thiago Neves perderam boas oportunidades. A de Thiago, a mais clara.

O segundo tempo trouxe um Cruzeiro que explorava mais os lados do campo. Perdera Robinho e voltara com Rafinha. Foram dez minutos de problemas para o Flamengo, pressionado em seu campo embora sem conceder chances claras. Perto do fim, uma falha de Muralha quase deu o gol a Arrascaeta.

Fábio defende cobrança de Diego/Foto: Alexandre Cassiano

Aos poucos, o jogo voltou ao seu roteiro de poucos riscos, embora o Flamengo trouxesse um Diego mais perto da área cruzeirense, tentando ser o homem do passe final. Conseguiu pouca coisa, foi muito marcado e não viveu sua melhor noite.

Rueda tentou lançar Paquetá na vaga de Éverton e, depois, Rodinei no lugar de Berrío. Mas o Flamengo viveu da luta solitária de Guerrero, que ganhou de dois adversários antes de acertar o ângulo de Fábio, que voou para decretar a cobrança de pênaltis como desfecho de uma final que testava os nervos. Na marca fatal, o Flamengo não deu o passo que ainda o separa do reencontro com as grandes vitórias.

Fonte: oglobo.com.br

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