
O órgão regulador de medicamentos da Europa afirmou nesta terça-feira que “não há indicação” de que a vacina contra a Covid-19 de Oxford/AtraZeneca cause coágulos sanguíneos, depois que um número crescente de países suspendeu seu uso para examinar possíveis efeitos colaterais, potencialmente atrasando ainda mais a campanha de vacinação na região.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) também afirmou que os benefícios do imunizante continuam a superar os riscos. A diretora-executivo da EMA, Emer Cooke, disse que a agência está realizando uma avaliação caso a caso dos incidentes e que deve concluir uma revisão na quinta-feira.
CONTINUA DEPOIS DOS COMERCIAIS
Os ministros da Saúde europeus também debatem nesta terça-feira sobre o futuro da vacina contra a Covid-19 de Oxford/AstraZeneca na região.
Está em jogo o futuro de um dos principais alicerces da campanha de vacinação na Europa, onde a AstraZeneca deveria responder por cerca de um quinto de todas as doses de imunizantes no segundo trimestre.
— Não podemos nos permitir uma única dúvida sobre a eficiência das vacinas — disse a ministra da Indústria francesa, Agnes Pannier-Runacher, na rádio France Info nesta terça-feira.
Com o número de infecções aumentando novamente em países como a Alemanha, o risco de mais escassez de vacinas aumentará a pressão sobre os políticos que foram criticados por seus programas de imunização.
Doses na UE
A União Europeia recebeu 14 milhões de doses da AstraZeneca até agora, mas quase 8 milhões não foram administradas, mais da metade. Isso se compara a apenas 13% no caso do imunizante da Pfizer/BioNTech.
Cerca de 30 milhões de doses de AstraZeneca devem ser entregues até o final deste trimestre, e mais nos próximos três meses. A Comissão Europeia se comprometeu a imunizar 70% dos adultos até o final de setembro, mas as precauções mais recentes podem atrasar os esforços em pelo menos algumas semanas e potencialmente mais, de acordo com a empresa de pesquisa Airfinity, com sede em Londres.
CONTINUA DEPOIS DOS COMERCIAIS
Mesmo antes da suspensão, o imunizante desenvolvido em conjunto com a Universidade de Oxford enfrentou atrasos na produção, que a empresa atribuiu em parte a problemas iniciais típicos com um novo produto. Como resultado, a AstraZeneca disse na semana passada que só será capaz de entregar cerca de 100 milhões de doses para a UE na primeira metade do ano, cerca de um terço do número originalmente planejado.
Recurso legal
O secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Clément Beaune, afirmou nesta terça-feira que União Europeia “não exclui” a opção de entrar com um recurso legal contra a AstraZeneca devido aos atrasos na entrega anunciados pelo grupo.
— Há preocupações e certamente uma série de violações de contrato — disse Beaune em entrevista ao Radio Classique, e acrescentou: — A Europa não dá dinheiro sem esperar nada em troca.
Ele afirmou que antes de recorrer à justiça, há pressão política e também dentro da empresa.
— Se tivermos que agir judicialmente, faremos, mas leva tempo. Hoje a urgência é produzir [vacinas] — afirmou Beaune.
A ministra da Indústria francesa, Pannier-Runacher, também afirmou que o presidente-executivo da AstraZeneca está na “berlinda” com os atrasos nas entregas de sua vacina contra a Covid-19 aos países europeus e deve fornecer mais detalhes de seus planos de produção.
fonte: oglobo.globo.com


