O juiz Rômulo Lago e Cruz, titular da 1ª Vara de Vitorino Freire, vai presidir uma sessão do Tribunal do Júri no próximo dia 7 de agosto. No banco dos réus, Elitan Silva dos Santos, acusado de prática de crime de homicídio simples tendo como vítima Francisco Jaderson Sousa Lima em janeiro de 2017. A sessão será realizada no Fórum Juiz João Batista Lopes da Silva, o fórum de Vitorino Freire, às oito horas da manhã.
Destaca a denúncia que Elitan Silva dos Santos, conhecido pelo apelido de ‘Piupiu’, teria matado a tiros o homem Francisco Jaderson, conhecido pelo apelido de ‘Facção’, na data de 1o de janeiro de 2017. O crime ocorreu durante uma festa no local conhecido como ‘Espaço M’, quando acusado e vítima se cruzaram, instante em que ‘Facção’, portando uma faca, teria dito a ‘Piupiu’ pra ele “ficar esperto”. Narra a denúncia, ainda, que ‘Piupiu’ saiu da festa e foi até sua residência, voltando algum tempo depois armado de revólver calibre 38.
Ao se deparar com Francisco Jaderson nas imediações do local da festa, o acusado teria disparado quatro tiros, causando a morte de ‘Facção’. Quando interrogado, Elitan disse que Francisco Jaderson representava um perigo. Foi investigado que Francisco Jaderson já havia ameaçado o pai de Elitan Silva, que confessou o delito na delegacia. Após o crime, Elitan fugiu por um matagal, momento em que perdeu a arma. Ele se apresentou dias depois à polícia, acompanhado de um advogado.
Ao comentar as investigações sobre seu agressor Adélio Bispo de Oliveira, nesta segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, com acusações de que seu pai, Fernando Santa Cruz, desaparecido durante a ditadura militar, fazia parte do grupo “mais sanguinário” do movimento Ação Popular. Bolsonaro questionou a ação da OAB durante o processo para apurar o atentado sofrido em Juiz de Fora (MG) no ano passado e afirmou que se o presidente da OAB quiser saber sobre a “verdadeira história” do que aconteceu com seu pai, ele pode contar o que ocorreu.
— Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar e essas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro — afirmou Bolsonaro.
Bolsonaro fez o comentário ao falar do processo de Adélio, absolvido por ser doente mental e não poder ser responsabilizado criminalmente em razão disso, era representado por um advogado que não informava quem estava bancando seus honorários.
Não é a primeira vez que o presidente ataca o presidente da OAB ou o pai dele. A entidade deve soltar uma nota nesta segunda-feira em resposta às últimas declarações de Bolsonaro.
A primeira confirmação oficial da prisão de Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira saiu após 40 anos, em março de 2014.
“Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira. 20 de fevereiro de 1948. Casado. Citado por militantes presos como membro da Ação Popular Marxista-Leninista (APML). Preso em 22 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro. Considerado desaparecido em uma relação feita pelo Comitê Brasileiro de Anistia”, dizia o ofício RPB 655/A2-Comcos do Ministério da Aeronáutica, de escrito em 22 de setembro de 1978, classificado como secreto (nível acima de reservada e confidencial).
Ele tinha 26 anos.
Fernando, que havia se mudado para São Paulo, onde trabalhou no Departamento de Água e Energia Elétrica do estado até a véspera da prisão, estava no Rio para festejar o aniversário do irmão Marcelo. Devido ao novo endereço, ele pleiteava uma transferência da UFF para a USP. Após rever a família, Fernando saiu às 16h para encontrar o amigo Eduardo Collier e marcou de ir ao cinema às 18h com sua mulher, Ana Lúcia Valença. Não apareceu. Era sábado de carnaval, e nunca mais se soube de Fernando e Eduardo.
O irmão dele, Marcelo Santa Cruz, teve cassado o direito de estudar no Brasil. Rosalina, irmã mais velha, ficou um ano presa, sofreu um aborto provocado pela violência, por choques elétricos. Mas Marcelo classificou o caso de Fernando como o “mais perverso”.
O rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, – que completou seis meses na última quinta-feira (25) – ainda tem causado reflexos no turismo da cidade mineira de Brumadinho, a cerca de 50 quilômetros da capital do estado, Belo Horizonte.
No Instituto Inhotim, maior espaço cultural ao ar livre da América Latina, localizado em Brumadinho, o número de visitantes este ano já registra queda significativa. Entre os anos de 2014 e 2018, a média de visitantes no mês de janeiro era de 35.188. Este ano, o número ficou em 33.480. Em fevereiro, o recuo foi de 15.472 para 6.739. No mês de maio, a média de visitantes caiu de 21.212 para 12.916.
A ocupação da rede hoteleira da cidade também sofreu impactos. Segundo a Associação de Turismo de Brumadinho, a média de ocupação nos hotéis e nas pousadas caiu mais de 50% desde janeiro, mas já apresenta sinais de retomada.
Inhotim
Apesar de se localizar na cidade mineira onde ocorreu o desastre, o Instituto Inhotim não teve as instalações atingidas e não ficou na rota do fluxo de lama.
A diretora-executiva do instituto, Renata Bittencourt, espera que o número de visitantes em julho seja melhor por conta das férias escolares. “Isso é significativo não só pela nossa renda que cai, mas por toda a rede turística da cidade que surgiu a partir de Inhotim. Toda essa rede tem prejuízos. Os restaurantes, os hotéis e as pousadas. Então, a perspectiva de ter uma atividade regular continuada aqui em Inhotim é boa para a instituição, mas também é um modo de seguir ancorando todo um segmento econômico de lazer do território de Brumadinho”, destacou.
A queda no número de visitantes não foi o único impacto que Inhotim sofreu com o rompimento da barragem. Renata lembrou que o museu tem cerca de 600 empregados, entre diretos e indiretos. Uma parte deles ainda se encontra traumatizada pela perda de parentes e amigos na tragédia.
“Isso foi o que a gente sentiu mais. É o que veio em primeiro lugar. 80% dos funcionários são da região e 41% deles tiveram perdas diretas e outros tantos perderam conhecidos e amigos”, explicou.
Social
A diretora executiva explica que o Instituto Inhotim é uma importante fonte de renda da cidade e de geração de emprego. Muitos dos jovens de Brumadinho têm seu primeiro emprego no espaço cultural.
Mesmo com as dificuldades de público, o instituto manteve seus projetos sociais. Para Renata, antes de ser um jardim botânico, Inhotim é um museu e mantém uma função social com a memória, com a arte, com a cultura e ainda com as populações.
“A existência de Inhotim aqui nesse território já chama para uma atividade social, que no nosso caso está vinculada ao econômico, ao nosso engajamento aos públicos próximos a nós e nos empregos”, afirmou.
Como exemplo, ela afirma que o instituto manteve em funcionamento a escola de música para jovens que aprendem instrumentos como violino e contrabaixo. A escola também ministra aulas para crianças pequenas que fazem experimentação musical e adultos que aprendem canto.
Em julho, teve início um projeto de cinema. “Brumadinho é uma cidade sem cinema. Nós começamos com edição de filmes, com animações atraindo o público familiar e infantil”, disse.
“A partir de agosto teremos o projeto Palco Brumadinho. Uma programação musical que vai atravessar todo o segundo semestre para que a gente possa convidar a cidade toda a comparecer e fortalecer os talentos locais”, completou.
Moradores
O instituto criou ainda um cadastro para conceder entradas gratuitas aos moradores da cidade. Até o momento, 4 mil moradores se cadastraram e mais de 1 mil passaram pelas instalações do museu.
“É uma cidade que passou por um trauma e acreditamos que o ambiente de Inhotim pode ser de relaxamento e de convivência onde os moradores possam se encontrar, desfrutar dos jardins, ver as obras da nossa coleção de orquídea, sentar para ler um livro. Estamos de portas abertas para a cidade e muito comprometidos com a sua recuperação”, afirmou.
Na avaliação de Renata, a cultura tem grande força para impulsionar economias locais e mobilizar fluxos de turistas. Para ela, esse é um modelo que tem muito espaço para crescer no Brasil.
“O Inhotim é uma instituição que tem 13 anos, mas antes de dele, não havia hotel nenhum [na cidade]. Não havia pousada. O que já foi implementado pode crescer, pode ser uma presença de empregos fortes”, avaliou.
O aeroviário Perterson Patrício, 33, de jaleco verde, chegava à sede do Deic na última quinta-feira, para prestar depoimento sobre o roubo – Roberto Casimiro /Fotoarena/Folhapress
A polícia prendeu na madrugada desta segunda-feira um terceiro suspeito de participação no roubo dos 720 quilos de ouro de aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, ocorrido na última quinta-feira (25).
O nome dele é Célio Dias, arrendatário de um terreno na zona leste da capital. Os policiais acreditam que ele ajudou o grupo ao fornecer o local como o segundo ponto de transbordo para o crime, na avenida São Miguel, atrás de um forró.
Foi ali no terreno que o bando abandonou as caminhonetes, branca e prata —que não têm registro de roubo—, e seguiram para um destino ignorado.
Antes disso, a quadrilha já havia deixado os carros clonados da Polícia Federal em um terreno na região do Jardim Pantanal.
Dias foi preso em flagrante porque a polícia encontrou com ele um carregador de fuzil, com munições .556.
Segundo a Folha apurou, se não tivesse ocorrido a prisão em flagrante pelo porte de munição de uso restrito, a polícia pediria a prisão temporária de Dias.Ao ser interrogado pelos investigadores, o suspeito preferiu ficar em silêncio.
Os policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) investigam um quatro suspeito, ligado ao local de transbordo. Ele chegou a ser levado ao departamento de investigação na noite domingo, mas foi liberado horas depois.
Dois suspeitos já estavam presos. Um deles é o aeroviário Peterson Patrício, 33, preso na noite do último sábado (27). Ele é funcionário do terminal de cargas do aeroporto e alegou, horas depois do crime, ter sido obrigado pelos criminosos a ajudar no roubo após ser mantido refém, junto da família desde o dia anterior.
O funcionário mora na travessa Nem Ouro Nem Prata, no Jardim da Conquista, zona leste da capital —onde teria funcionado um dos cativeiros.
O outro suspeito preso, Peterson Brasil, também é funcionário do aeroporto. A Justiça determinou a prisão dele no começo da noite deste domingo (28). O suspeito já estava detido no Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais).
Ambas as prisões são temporárias e foram determinadas pela Justiça de São Paulo a pedido dos policiais.
Nas imagens registradas no momento do roubo, captadas pelo sistema de segurança do aeroporto, Patrício é o primeiro a aparecer descendo de uma caminhonete clonada da Polícia Federal.
É ele também quem indica aos outros integrantes da quadrilha o local exato onde estavam os malotes de ouro —cujo valor supera R$ 120 milhões— e chega a carregar com as mãos peças que estavam soltas em um contêiner.
Até agora nenhum grama do ouro foi recuperado. Os investigadores estimam que a quadrilha tenha gasto cerca de R$ 1 milhão para levar a cabo o roubo.
Segundo a Folha apurou, as suspeitas começaram a recair sobre o funcionário após uma série de contradições na versão contada por ele. Após admitir o crime, ele apontou o colega como comparsa.
Desde o início das investigações, uma das principais linhas seguidas pela polícia era tentar descobrir qual teria sido o funcionário do aeroporto (ou da empresa de transporte de valores) responsável pelo vazamento de informações privilegiadas.
A polícia tinha certeza de que havia esse colaborador (ou colaboradores), porque os bandidos não tinham como obter tantos detalhes precisos sobre a carga, como o dia e horário que estaria ali.
A polícia só não sabia que era o próprio Patrício essa pessoa quem estaria ajudando a quadrilha, até porque, segundo os colegas, era um funcionário exemplar.
De acordo com o delegado João Carlos Miguel Hueb, o aeroviário trabalhava havia sete anos no aeroporto de Guarulhos e nunca apresentou nenhum problema que pudesse levantar suspeitas.
Conforme reportagem da Folha, a cúpula da Polícia Civil considera muito difícil reaver o ouro roubado na quinta —isso não muda com a prisão desses suspeitos agora.
Isso porque o material é facilmente derretido e vendido no mercado sem deixar indício de ser produto de crime. Os policiais acreditam que a quadrilha pudesse ter até mesmo um comprador do ouro antes de executar o plano.
A Polícia Civil também aguarda para esta segunda informações sobre os donos do ouro. Até o final de semana, segundo a reportagem apurou, a polícia tinha recebido parte delas —sabia apenas serem integrantes de um grupo de investidores.
De acordo com o registro policial, todo o ouro estava dividido em 31 malotes.
Vinte e quatro deles, pesando 565,5 quilos e avaliados em U$ 24,4 milhões, tinham como destino final o aeroporto JFK em Nova York.
Os outros sete malotes, pesando 153,4 quilos e avaliados em U$ 4,8 milhões, tinham como local de desembarque o aeroporto YYZ, no Canadá.
O roubo que levou a prisão do aeroviário ocorreu na tarde da última quinta (25) quando criminosos disfarçados de policiais federais entraram no terminal de cargas. Com ajuda de um empilhadeira, eles colocaram a carga de ouro em um caminhonete e fugiram.
Os carros clonados da Polícia Federal forma abandonados minutos depois em um terreno na zona leste, na região do Jardim Pantanal.
Nesse local, os bandidos fugiram em outras duas caminhonetes (uma branca e outra prata), que seriam também abandonadas minutos depois, também na zona leste.
Para a polícia, todos os veículos usados na ação foram comprados pelos bandidos. Estima-se que o grupo gastou quase R$ 1 milhão na organização do crime, entre compra de ao menos sete carros, armas e equipamentos.
Na versão de Patrício, toda ação começou quando um ambulância cruzou a frente do veículo dele, levando a mulher dele como refém.
Dois bandidos voltaram a encontrar o funcionário no final da tarde, e todos foram para casa dele, fazendo a família de Peterson refém. Os familiares foram liberados no começo da noite.
O Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro realizou pelo quinto ano consecutivo, a Marcha das Mulheres Negras, na orla de Copacabana, zona sul da capital. – Fernando Frazão/Agência Brasil
O Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro realizou hoje (28), pelo quinto ano consecutivo, a Marcha das Mulheres Negras, na orla de Copacabana, zona sul da capital, com o tema “Mulheres Negras resistem: em movimento por direitos, contra o racismo, o sexismo e outras formas de violência”. O ato contou com a presença de mulheres negras de todas as idades, desde bebês a “vovós” de mais de 80 anos.
Coordenadora do fórum, Ana Gomes disse à Agência Brasil que o intuito do evento é mostrar para o público as questões que afligem e mobilizam as mulheres negras no Rio de Janeiro e no país. Uma das reivindicações é dar visibilidade ao fato de que as mulheres negras são as maiores vítimas do feminicídio. Ainda segundo ela, apesar de a violência doméstica contra as mulheres brancas ter diminuído, os números referentes às mulheres negras aumentaram.
O ato também denuncia o genocídio da juventude negra. “Na medida em que morre um jovem negro, é uma mulher negra que está na ponta sofrendo”, destacou Ana.
A falta de creches, a precariedade das escolas e o acesso restrito às urbanidades, além da violência praticada contra os povos tradicionais de matriz africana também estão entre as críticas das mulheres negras. “Tanta coisa que o racismo acaba nos colocando nessa situação de desprestígio, de desumanização”, explicou Ana Gomes.
A Marcha das Mulheres Negras também comemora o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, instituído no dia 25 de julho de 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado na República Dominicana.
Homenagens
Uma oficina de cartazes, realizada pela manhã no Posto 4 da Praia de Copacabana, abriu a marcha que se estendeu até o Leme. Durante o evento, várias homenagens à vereadora Marielle Franco, assassinada com seu motorista Anderson Gomes em 14 de março de 2018.
Na Praça Heloneida Studart, foi montada a exposição “Vitrine Negra”, com trabalhos artesanais de afro-empreendedoras. O evento será encerrado à noite, com a roda de samba “Divas Negras – Nossa Africanidade”.
A marcha contou com a participação de movimentos de mulheres negras de vários municípios e regiões fluminenses. A organização não governamental (ONG) Mulheres Yepondás, que desenvolve ações sociais, culturais e artísticas, montou um “painel de afroestima”, no qual as pessoas podiam colocar um turbante ou outro acessório disponibilizado pelo grupo e tirar fotografias.
O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Walkimar Carneiro compareceu à marcha pela primeira vez. “As mulheres e, particularmente, as mulheres negras, ainda estão em uma situação difícil no país. Se a gente olhar para o mercado de trabalho, para as condições de vida como um todo, para o tratamento das pessoas, ainda há muita discriminação. Portanto, acho importante que haja essas manifestações. Todos temos que apoiar”, destacou.
Luíza de Figueiredo, 12 anos, disse que os cartazes cobrando respostas para o assassinato de Marielle chamaram a sua atenção. Estudante da 8ª série do ensino fundamental, Luíza defendeu as mulheres de todas as raças.
“Nós, mulheres, em geral, somos sempre diminuídas. E as mulheres negras, principalmente, são colocadas em um patamar muito inferior ao dos homens e das mulheres brancas. Então, acho muito importante a mulher negra mostrar que ela é também mulher e tem os mesmos direitos de todo mundo, assim como as mulheres têm os mesmos direitos dos homens.”
Jair Bolsonaro em cerimônia de brevetação de novos paraquedistas, no 26° Batalhão de Infantaria Paraquedista, na Vila Militar, zona oeste do Rio de Janeiro – Marcos Correa/PR
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou neste sábado (27) que não vê nada de errado em ter usado helicóptero da presidência para transportar parentes ao casamento de seu filho, Eduardo Bolsonaro, em maio.
“Eu vou responder. Eu fui a casamento do meu filho. A minha família ia comigo. Eu vou negar o helicóptero a ir para lá e mandar ir de carro? Não gastei nada do que já ia gastar”.
Antes da cerimônia, o presidente fez gestos de indignação dirigidos à imprensa e reclamou: “Só fazem pergunta esquisita. Irã, OMC, Mercosul, futuro do Brasil, Forças Armadas. Ontem, lá (em Goiânia). Uma pergunta que pelo amor de Deus…”, disse Bolsonaro.
O presidente já havia se irritado nesta sexta-feira (26) com pergunta sobre uso do helicóptero da FAB (Força Aérea Brasileira). Demonstrando irritação, Bolsonaro encerrou a entrevista depois de chamar de “idiota” pergunta feita pela Folha.
“Com licença, estou numa solenidade militar, tem familiares meus aqui, eu prefiro vê-los do que responder uma pergunta idiota para você. Tá respondido? Próxima pergunta”, disse, interrompendo a pergunta antes mesmo de sua conclusão.
O presidente não quis dizer se via incompatibilidade no uso ou se estava dentro da aeronave. “Toda vez que eu viajo com o helicóptero, vão dois helicópteros comigo. Por que vocês não veem meu gasto mensal com o cartão corporativo?”, questionou Bolsonaro.
“A minha preocupação é com o Brasil. Se eu errar, assumo meu erro e arco com as consequências. Até o momento, pelo que eu vejo, nada de errado aconteceu”, continuou o presidente.
Jair Bolsonaro compareceu à cerimônia de brevetação de novos paraquedistas, no 26° Batalhão de Infantaria Paraquedista, na Vila Militar, zona oeste do Rio de Janeiro.
O governo alegou “razões de segurança” para autorizar o voo. Vídeos da ocasião foram divulgados em redes sociais por um sobrinho do presidente, Osvaldo Campos Bolsonaro. A informação foi revelada nesta sexta pelo site G1.
De carro, o trajeto tem cerca de 35 km e levaria 35 minutos. Segundo o site, foram 14 minutos de voo na aeronave da FAB.
Nas imagens que foram publicadas, é possível ver que o grupo de aproximadamente dez pessoas chegou de van à pista de embarque. No veículo estavam irmãs de Bolsonaro e o deputado federal Helio Lopes (PSL-RJ), o Helio Negão, amigo do presidente.
Em nota, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) informou que “por razões de segurança, o coordenador de segurança de área neste evento, exercendo competências contidas no decreto nº 4.332, de 12 de agosto de 2002, decidiu que o presidente da República e familiares fossem transportados em helicópteros da Força Aérea Brasileira”.
A ex-parlamentar, Manuela D’Ávila, foi candidata a vice-presidente da República na chapa do petista Fernando Haddad, nas eleições de outubro: ela se dispôs a entregar o celular para perícia (foto: AFP / Itamar AGUIAR)
Em depoimento à Polícia Federal, o hacker Walter Delgatti Neto, um dos quatro detidos por invasão de celulares de autoridades da República, afirmou que obteve o contato do jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, por meio da ex-deputada Manuela D’Ávilla (PCdoB), candidata a vice-presidente da República na chapa do petista Fernando Haddad nas eleições de outubro. O site tem veiculado uma série de reportagens baseadas em supostos diálogos entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato. Nesta sexta-feira (26/7), o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, decidiu prorrogar por cinco dias a prisão preventiva de todos os detidos para preservar a investigação e impedir que eles interfiram nas diligências em andamento.
Delgatti afirmou no depoimento, divulgado pela Globo News, que ligou para Manuela D’Ávila pedindo o contato de Greenwald, mas que, diante da descrença dela em relação ao conteúdo vazado, enviou um áudio de uma conversa entre dois procuradores do Paraná para comprovar que falava a verdade. O acusado disse que se comunicou com o jornalista pelo aplicativo Telegram e que não pediu nem recebeu nenhum tipo de pagamento em troca dos dados que forneceu. Ele também contou que não repassou nenhum tipo de informação pessoal dele ao americano.
Procuradores da Lava-Jato e Sérgio Morto lanças dúvidas sobre a integridade das mensagens que são publicadas desde 9 de junho pelo Intercept. No entanto, o hacker negou que tenham sido realizadas edições do material. “(Walter Delgatti) disse que pode afirmar que não realizou qualquer edição dos conteúdos das contas de Telegram das quais teve acesso. Acredita não ser possível fazer a edição das mensagens do Telegram em razão do formato utilizado pelo aplicativo”, menciona um dos trechos do depoimento.
Em nota, Manuella D’Ávila confirmou que passou o contato de Greenwald, mas contradisse algumas declarações do hacker. A ex-deputada afirmou que foi comunicada pelo Telegram, em maio, de que o aparelho dela havia sido invadido no Estado da Virginia, nos Estados Unidos. Ela recebeu uma mensagem, e não uma ligação, como disse Walter, de uma pessoa que se identificou como alguém inserido na lista de contatos dela.
A pessoa teria informado que tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras. “Sem se identificar, mas dizendo morar no exterior, afirmou que queria divulgar o material por ele coletado para o bem do país, sem falar ou insinuar que pretendia receber pagamento ou vantagem de qualquer natureza”, disse Manuela na nota. “Pela invasão do meu celular e pelas mensagens enviadas, imaginei que se tratasse de alguma armadilha montada por meus adversários políticos. Por isso, apesar de ser jornalista e estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald”, emendou.
A ex-deputada disse que desconhece, portanto, a identidade de quem invadiu o celular dela. “Desde já, me coloco à inteira disposição para auxiliar no esclarecimento dos fatos em apuração”, destacou. A ex-parlamentar ainda declarou que vai orientar os advogados a procederem a “imediata entrega das cópias das mensagens” à Polícia Federal. “Estou à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o ocorrido e para apresentar meu aparelho celular à exame pericial”, frisou.
Dificuldade
Em um relatório enviado à Justiça Federal, a PF afirmou que está prestes a acessar informações importantes para as investigações. Entre elas, estariam dados de celulares dos suspeitos. O aparelho usado pelos acusados, apesar de comum, dificulta o acesso às mensagens, o que demanda mais tempo de atividade para que os peritos consigam extrair o conteúdo.
Caso Snowden
O hacker disse que procurou Glenn Greenwald por causa da atuação dele no caso em que foram divulgados arquivos secretos da NSA, agência do governo dos Estados Unidos. O jornalista obteve de Edward Snowden, ex-analista de sistemas da NSA, dados sigilosos sobre a espionagem dos serviços de inteligência norte-americanas sobre outras nações. O alvo principal entre os países estrangeiros era o Brasil.
O presidente Jair Bolsonaro participou neste sábado de solenidade de formatura de novos paraquedistas no 26º Batalhao de Infantaria Paraquedista na Vila Militar Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
O presidente Jair Bolsonaro foi questionado neste sábado sobre a possível destruição das mensagens obtidas nas investigações sobre os hackers e mencionada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro. Bolsonaro participou nesta manhã da formatura anual da turma de novos paraquedistas das Forças Armadas no 26º Batalhão de Infantaria Paraquedista, na Vila Militar, na Zona Oeste do Rio. Ao todo, foram 638 formandos.
– A decisão de possível destruição não é dele (Moro). Podemos pensar e torcer por alguma coisa, mas o Moro não fará nada do que a lei não permite. Agora, foi uma invasão criminosa. Eu não tive esse problema porque nada trato de reservado nos meus telefones – afirmou ele.
Depois fez uma alusão à investigação sobre seu filho Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que alega ter tido o sigilo quebrado nos relatórios do Coaf. – Invadir a privacidade das pessoas, quebrar sigilo sem autorização judicial também é crime – completou.
Os relatórios do Coaf, porém, são feitos a partir de comunicação dos bancos a partir de operações atípicas. Não são propriamente o sigilo bancário.
Ao final, o presidente comentou o uso de helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) por seus parentes para ir no casamento de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).
O assalto, segundo informações, aconteceu ontem (24), por volta das 12:30h, na cidade de Peritoró. Dois elementos armados renderam os servidores da Casa Lotérica, levaram uma quantia em dinheiro e fugiram após o crime, sentindo ao Município de Coroatá. A Polícia Militar foi informada e saiu em perseguição dos assaltantes, que foram alcançados na entrada da cidade, mas com o cerco policial, eles saíram com destino ao Areial, pegando a estrada do Benfica, onde foram presos.
Foto: Polícia Civil
Com eles foram encontrados as armas usadas durante o assalto, dinheiro e a motocicleta, uma Bros vermelha.
Suspeitos/Foto: Polícia Civil
Os presos são: Francisco Linhares de Araújo, 31 anos, de Caxias, e Marcos de Oliveira Bezerra, o Marquinhos, 19 anos, morador da cidade de Coroatá.
Ontem (25), no salão do júri da Comarca de Lago da Pedra, o juiz titular da 1ª Vara e diretor do Fórum, Dr Marcelo Santana Farias, promoveu a solenidade de entrega de portaria elogiosa aos profissionais de segurança que participaram da ação policial que impediu o assalto na agência dos Correios, ocorrido dia 12.
Durante o evento, foram homenageadas as guarnições da Polícia Militar e os Guardas Municipais, que conjuntamente atuaram no atendimento da ocorrência, sendo elevada para um sequestro, resultou na liberação dos reféns e a consequente prisão em flagrante dos suspeitos.
1° Ten QOPM Stanley/Foto: Assessoria da PM de Lago da Pedra
A solenidade adotou protocolo de formatura Cívico Militar, sendo presidida pelo CMT do 19° BPM, Maj QOPM Ricardo Almeida de Carvalho, que enalteceu a parceria da instituição entre a PM e o poder judiciário, e agradeceu a iniciativa do Dr Marcelo na organização do evento.
Dr Marcelo Santana exaltou a atividade policial e reconheceu o profissionalismo demonstrado pelos policiais e guardas municipais na resolução da crise gerada durante o assalto à Agência dos Correios naquele fatídico dia.
Major Ricardo – Comandante do 19º BPM de Pedreiras – MA/Foto: Assessoria da PM de Lago da Pedra
O Comandante do 19º BPM de Pedreiras, Major Ricardo, fez a leitura da nota de elogio emitida pelo Comando do 19° Batalhão e direcionada aos PMs que foram homenageados. A solenidade, que foi aberta ao público, contou ainda com as presenças de várias autoridades: Rodrigo Neto (vice prefeito de Lago da Pedra), Walman Oliveira (secretário de segurança pública do município), vereador Sales, GCM Rogério Vieira (sub secretario de segurança pública) além de Guarda Municipais, agentes de trânsito, Policiais Militares lotados em Lago da Pedra e região, bem como representantes da sociedade civil em geral.
Foto: Assessoria da PM de Lago da Pedra – MA
Após a solenidade, as guarnições da PM e GM dirigiram-se a uma pizzaria da cidade onde foi servido um rodízio de pizzas em ato de confraternização pelo sucesso da ação policial.