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Depois de mais de 30 anos, Portela vence o título do carnaval carioca

Portela venceu o carnaval de 2017

Em ano marcado por graves acidentes no Sambódromo do Rio, que deixaram ao menos 32 pessoas feridas, a Portela sagrou-se campeã pela 22º vez. A escola não vencia desde 1984.

Sob a batuta de Paulo Barros, a Portela vai falar sobre rios. O título faz referência a um dos grandes nomes da escola, Paulinho da Viola, com o título “Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar”, versos de uma de suas mais conhecidas canções. Falará sobre as civilizações que iniciaram seus processos de organização social ao leito de rios.

Portela faz referência à tragédia na barragem da Samarco com o carro alegórico “Um Rio que Era Doce”.

Acidentes em carros da escola Paraíso do Tuiuti e da Unidos da Tijuca ficaram marcados como dos piores nos últimos 33 anos da avenida, segundo a própria Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba).

O carro da Tuiuti perdeu o controle e atropelou ao menos 20 pessoas no domingo (26). Já no desfile da Unidos da Tijuca, uma parte do carro alegórico despencou e integrantes da escola chegaram a sofrer uma queda de seis metros, na segunda (27).

Somados, os dois acidentes feriram 32 pessoas. Ao menos duas pessoas permanecem em estado grave no hospital e uma terceira ainda passará por cirurgia.

A Liga e presidentes de escolas decidiram nesta quarta-feira (1º) que nenhuma escola do Grupo Especial seria rebaixada este ano.

Muito criticada por não ter interrompido os desfiles no momento do acidente, o que teria prejudicado o trabalho de socorro aos feridos, a Liga recebeu vaias no Sambódromo, quando o presidente Jorge Castanheira anunciou a medida.

No ano que vem, portanto, 13 escolas disputarão o Grupo Especial-as 12 atuais e uma que subirá do Grupo de Acesso. Duas escolas serão rebaixadas no ano que vem.

Gritos de “vergonha” foram ouvidos nas arquibancadas, onde o público costuma acompanhar a apuração.

A falta de punição é vista por críticos como uma forma de beneficiar escolas que foram imprudentes com as questões de segurança.

“Foi uma fatalidade, mas quem errou tem que pagar”, disse Neguinho da Beija-Flor.

Segundo o presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães, a decisão foi tomada em consenso pelas escolas e que a punição, se ocorrer, será na esfera criminal e não no evento privado do Carnaval. Ele classificou os dois graves acidentes como fatalidades.

“Todas as escolas foram a favor. O que aconteceu foi uma fatalidade, uma coincidência”, disse.

O carnavalesco da Unidos da Tijuca, justamente a escola que teve acidente no desfile, disse que não houve erro da escola. Segundo avaliou, a Liga se “sensibilizou com a tragédia”, quando sugeriu o não rebaixamento neste ano.

“Não foi erro, o erro tem que ser punido. Foi uma fatalidade. Eu acho que a Liga ficou sensibilizada com essa tragédia”, disse o carnavalesco Unidos da Tijuca, Marcos Paulo Oliveira

“A Tijuca não teria ficado em último lugar”, disse o presidente da Tijuca, Fernando Horta.

A Polícia Civil do Rio abriu dois inquéritos para apurar os acidentes com as escolas. Peritos verificaram que ao menos duas rodas do carro alegórico da Paraíso da Tuiuti que perdeu o controle estavam danificadas. O motorista tinha visão bloqueada da pista em que trafegava.

Uma perícia foi realizada no carro alegórico da Unidos da Tijuca ainda na terça, onde foi constatado houve falha na parte hidráulica do veículo, que dá sustentação ao carro.

PREFEITO

Sem ter feito qualquer aparição pública durante o carnaval, não ter entregue as chaves da cidade ao Rei Momo e sem prestigiar o evento no sambódromo, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), visitou as vítimas do acidente com o carro da Paraíso do Tuiuti.

Em sua página no Facebook, Crivella afirmou “que lamenta profundamente o acidente ocorrido com o carro alegórico e que se certificou pessoalmente de que todas as providências foram tomadas para atender as vítimas”.

Mais tarde, na quarta-feira, o prefeito divulgou nota em que diz que se ele fosse ao Carnaval, seria demagogia. Ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Crivella prometeu durante a campanha que não misturaria política e religião.

A passagem da chave da cidade ao Rei Momo é o evento que marca a abertura do Carnaval, hoje a maior festa popular do Rio.
“Nos reunimos para adotar medidas que evitem acidentes nos próximos desfiles. A demagogia é a máscara da democracia. E o povo do Rio rejeita um prefeito com máscara ainda que seja no carnaval”, disse.

Fonte: Folha de São Paulo

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