A Polícia Civil do Maranhão (PCMA) realizou, nesta sexta-feira (21), a segunda fase de uma operação que investiga o homicídio de Farys Lopes, ocorrido em 27 de abril de 2026, em Dom Pedro, no interior do Maranhão. Durante a ação, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão.
A operação foi coordenada pelo Departamento de Homicídios do Interior (DHI) e contou com o apoio de equipes da Superintendência de Polícia Civil do Interior (SPCI).
Segundo a Polícia Civil, os mandados foram expedidos pelo Poder Judiciário após representação apresentada pela corporação. A nova etapa da investigação busca identificar e responsabilizar possíveis mandantes do crime.
Na primeira fase da apuração, as equipes policiais concentraram os trabalhos na identificação dos suspeitos apontados como executores do homicídio. Três pessoas foram identificadas e duas delas foram presas.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação aponta que a motivação do crime pode estar relacionada a um conflito de natureza patrimonial envolvendo a família de “Dedé dos Pneus”.
Após o cumprimento das medidas legais, os presos foram encaminhados ao sistema penitenciário, onde permanecem à disposição da Justiça.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer completamente as circunstâncias do homicídio e identificar todos os envolvidos.
A juíza Sheila Silva Cunha presidiu nesta quinta-feira, dia 20 de agosto, uma sessão do Tribunal do Júri na 1ª Vara de Lago da Pedra. Em julgamento, o caso de uma mãe que teria envenenado a própria filha, uma criança com Transtorno do Espectro Autista, de apenas seis anos de idade. Ao final da sessão, o Conselho de Sentença decidiu pela condenação da ré Ana Paula Cunha da Silva, que recebeu a pena definitiva de 21 anos e nove meses, a ser cumprida, inicialmente, em regime fechado.
De acordo com a denúncia, a criança foi morta em 17 de janeiro de 2022, tendo como causa da morte asfixia por intoxicação exógena, que é o dano ou reação nociva ao corpo causado pelo contato, ingestão, inalação ou absorção de substâncias químicas, medicamentos, drogas, agrotóxicos ou venenos. Foram encontrados com a denunciada dois frascos da substância encontrada na criança. Foi apurado que a menina ficava sob os cuidados de sua avó materna. No dia dos fatos, a denunciada estava de plantão no seu trabalho no hospital, indo até a sua casa por algumas vezes, com a justificativa de ver a sua filha, pois estava com um pressentimento ruim.
No período da tarde, a criança relatou para a avó que estava com muito sono e a língua estava doendo, e acabou passando mal. Em seguida, foi levada ao Hospital Professor Serra de Castro, onde, após parada cardíaca, acabou morrendo. No momento em que ocorriam os primeiros socorros à vítima, Ana Paula gritava que sua filha tinha sido envenenada. Ao ser informada sobre a morte da criança, a denunciada retirou dois frascos do bolso, sendo que um deles não possuía identificação com substância granulada, e o outro possuía um recipiente branco com líquido transparente.
AUTÓPSIA CONSTATOU ENVENENAMENTO
A denunciada gritou e disse que queria se matar mediante a utilização das substâncias contidas nesses dois frascos. O Instituto Médico Legal chegou na cidade e levou o corpo da vítima para a realização dos procedimentos solicitados, mas a denunciada não queria aceitar a realização da autópsia. Mesmo assim, os procedimentos foram realizados. Com o resultado foi constatado que havia a presença de pesticida, que seriam os mesmos dos frascos encontrados com a denunciada.
Por fim, a investigação policial concluiu que a motivação de Ana Paula consistia no fato de que ela queria se livrar de sua filha, pois a criança era autista e, por essa condição, precisaria de um maior acompanhamento multidisciplinar, algo que não acontecia. Em depoimentos, a denunciada dizia não ter tempo para cuidar da menina.
Durante o julgamento, os jurados reconheceram que Ana Paula foi responsável por ministrar e/ou fornecer à filha a substância tóxica que provocou sua morte, no caso, o agrotóxico Terbufós, conhecido popularmente como “chumbinho”. Após a leitura da sentença, a juíza determinou a condução da condenada à Unidade Prisional de Ressocialização Feminina (UPFEM), em São Luís.
Caso Adriana Oliveira: marido da influenciadora deixa prisão após decisão da Justiça. (Foto: Arquivo)
A Justiça concedeu liberdade a Valdiley Paixão Campos, o marido da influenciadora Adriana Oliveira, morta a tiros em Santa Luzia, no dia 15 de março de 2025. A decisão também beneficia Jailson Teles, acusado de participação no crime.
Segundo determinação do Poder Judiciário, os dois deverão cumprir uma série de medidas cautelares. Entre elas, não podem deixar Santa Luzia, frequentar bares ou estabelecimentos semelhantes e devem permanecer em recolhimento noturno entre 22h e 6h.
Dois investigados no caso Adriana Oliveira continuam presos
Outros dois investigados pelo caso continuam presos: Antônio do Zico, sogro de Adriana, e João Batista, apontado na investigação como o responsável por efetuar os disparos.
O assassinato da influenciadora Adriana Oliveira gerou grande repercussão no município de Santa Luzia, onde ela morava. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Defesa vai recorrer de decisão que colocou investigados do caso Adriana em liberdade
A defesa da família de Adriana Oliveira informou que vai recorrer da decisão em segunda instância, buscando reverter a liberdade concedida aos investigados.
A influenciadora digital Adriana Oliveira, de 27 anos, foi morta a tiros dentro de sua casa em Santa Luzia. O marido de Adriana relatou à polícia que um homem teria chegado na casa do casal em uma moto, entrado no imóvel, atirado contra Adriana e fugido. No entanto, câmeras de segurança próximas ao local e, analisadas pela polícia, não conseguiram comprovar a versão contada por Valdiley.
O assassinato da influenciadora Adriana Oliveira gerou grande repercussão no município de Santa Luzia, no interior do Maranhão, onde ela era bastante conhecida. Familiares, amigos e seguidores lamentam sua morte nas redes sociais.
A influenciadora de 27 anos tinha um filho e nas redes sociais dela, que já acumulavam quase 30 mil seguidores, ela compartilhava diariamente conteúdos da sua rotina.
De acordo com os levantamentos conduzidos pela corporação, a ação criminosa foi executada por cinco indivíduos armados que invadiram a residência das vítimas durante a noite. Os investigadores apuraram que o pai tentou proteger o menino abraçando-o no momento dos disparos, mas ambos acabaram baleados e faleceram no local do crime.
Investigação aponta motivação ligada a facções
A principal linha de investigação conduzida pela Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa aponta que a motivação do atentado estaria associada a uma rivalidade entre facções criminosas atuantes na região metropolitana. O alvo principal seria o pai, que supostamente teria ligações com um grupo rival ao dos suspeitos.
O homem capturado no Coroado tentou fugir no momento da abordagem policial, mas foi rapidamente contido pelas equipes de monitoramento. Com esta captura, sobe para dois o número de suspeitos detidos no âmbito das investigações, uma vez que o suposto mandante do crime já havia sido localizado e preso anteriormente. As autoridades continuam as diligências para identificar e capturar os demais envolvidos.
Duas irmãs foram presas pela Polícia Civil do Maranhão nesta segunda-feira (10), no município de Rosário, após a Justiça determinar o cumprimento definitivo das penas aplicadas pela participação em um homicídio ocorrido em 2019, em Matinha.
Segundo as investigações, as duas mulheres foram responsabilizadas pela morte de uma vítima, assassinada a golpes de faca. O caso foi submetido ao Tribunal do Júri, que reconheceu a participação das acusadas e determinou as respectivas condenações.
Uma das irmãs foi sentenciada a 16 anos de prisão, enquanto a outra recebeu pena de 18 anos e oito meses de reclusão.
Após o encerramento definitivo do processo, a Justiça expediu os mandados de prisão para o início do cumprimento das penas. As duas foram encontradas e detidas durante a ação realizada pela Polícia Civil nesta segunda-feira.
Depois dos procedimentos legais, as irmãs foram encaminhadas ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça para o cumprimento das condenações.
Os candidatos ao governo do Maranhão nas eleições de 2026 já foram definidos pelos partidos durante o período de convenções partidárias. Ao todo, sete nomes foram oficializados para disputar o comando do Palácio dos Leões.
As candidaturas ainda dependem do registro e do deferimento pela Justiça Eleitoral. O prazo para registro termina em 15 de agosto, e o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) deve julgar os pedidos até 14 de setembro.
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha a maioria dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.
Confira, em ordem alfabética, quem são os candidatos:
André Luís (Missão)
André Luís disputa pela primeira vez o governo do Maranhão pelo Partido Missão.
André Luís, de 41 anos, é empresário dos setores da construção civil e de confecção e secretário-geral do Partido Missão no Maranhão. Cursou Engenharia Civil por quatro anos, mas não concluiu a graduação. Segundo ele, deixou o curso para se dedicar à empresa de confecção. Casado, disputa pela primeira vez o governo do estado.
Eduardo Braide (PSD)
Eduardo Braide é ex-prefeito de São Luís e candidato ao governo do Maranhão pelo PSD.
Eduardo Salim Braide, de 50 anos, é advogado e político. Presidiu a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) entre 2005 e 2006, foi deputado estadual por dois mandatos e deputado federal em 2018. Em 2020, foi eleito prefeito de São Luís e reeleito em 2024. Renunciou ao cargo em março deste ano para disputar o governo do Maranhão. É casado e pai de três filhos.
Felipe Camarão (PT)
Felipe Camarão é vice-governador do Maranhão e disputa o governo pelo PT.
Felipe Camarão, de 44 anos, é advogado, professor universitário e procurador federal. Natural do Rio de Janeiro, foi secretário de Estado da Educação antes de ser eleito vice-governador do Maranhão em 2022, na chapa de Carlos Brandão (MDB). Casado e pai de três filhos, disputa pela primeira vez o governo do estado.
Orleans Brandão (MDB)
Orleans Brandão foi secretário de Estado e concorre ao governo do Maranhão pelo MDB.
Orleans Brandão, de 31 anos, é empresário, formado em Administração e natural de São Luís. Foi secretário de Estado de Assuntos Municipalistas entre 2023 e 2026, quando deixou o cargo para disputar as eleições. Sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB), concorre pela primeira vez a um cargo eletivo. É casado e pai de dois filhos.
Reginaldo Lima (PCB)
Reginaldo Lima representa o PCB na disputa pelo governo do Maranhão.
Reginaldo Lima, de 43 anos, é radialista e secretário político do Comitê Regional do Partido Comunista Brasileiro (PCB) no Maranhão. Natural de Imperatriz, já disputou uma eleição como candidato a vice-prefeito do município. Esta será sua primeira candidatura ao governo do estado.
Roberto Rocha (PRTB)
Roberto Rocha é ex-senador e candidato ao governo do Maranhão pelo PRTB.
Roberto Rocha, de 61 anos, é administrador e ex-senador pelo Maranhão. Natural de São Luís, foi deputado estadual, deputado federal por três mandatos, vice-prefeito da capital e senador entre 2015 e 2023. Ao longo da carreira política, passou por PL, PMDB, PSDB, PSB, PTB e Novo antes de se filiar ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). É casado e pai de quatro filhos.
Saulo Arcangeli (PSTU)
Saulo Arcangeli disputa o governo do Maranhão pelo PSTU.
Saulo Arcangeli foi oficializado como candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) ao governo do Maranhão. O texto-base informa apenas a oficialização da candidatura e não apresenta outros dados biográficos sobre o candidato.
Mãe é investigada após morte da filha de um ano. (Foto: Divulgação)
Uma mulher segue presa suspeita da morte da própria filha, uma bebê de um ano, encontrada com marcas de violência na cabeça e no pescoço em Bela Vista do Maranhão. Durante as buscas na casa da família, os investigadores apreenderam uma picareta, um martelo e uma corda fina que podem ter relação com as lesões identificadas na vítima.
A mãe da criança, Lorizan Teles da Silva, de 18 anos, foi ouvida e presa após apresentar versões contraditórias. Segundo a polícia, a picareta e o martelo são compatíveis com os ferimentos encontrados na cabeça da bebê.
Contradições em depoimentos levam polícia a investigar mãe de menina morta
A investigação também apura contradições nos relatos apresentados pela mãe, segundo informações do delegado Alisson Guimarães. Em um primeiro depoimento, Lorizan afirmou que amamentava a filha mais nova, de quatro meses, quando encontrou a menina de um ano dentro do quarto, com marcas de violência e sangramento intenso. Após a descoberta, ela teria chamado os vizinhos.
Durante novo interrogatório, no entanto, a mulher declarou que estava dormindo e, ao acordar, encontrou a criança ferida. Ela também afirmou que a porta da casa estava aberta. De acordo com os investigadores, até o momento, não foram encontrados elementos que confirmem essa versão.
Inicialmente, havia a informação de que a criança teria sido atingida por golpe de faca. No entanto, durante a apuração, a polícia identificou que as lesões podem ter sido causadas por outro tipo de arma ou objeto, como os materiais apreendidos na casa da família.
Pai de menina encontrada morta viajava ao Pará e será ouvido pela polícia
O pai da menina estava viajando para o Pará quando foi informado sobre o caso. Ele foi acionado pela polícia e deverá prestar depoimento para contribuir com as investigações.
Vizinhos relatam episódios frequentes de violência na residência, diz delegado
A motivação ainda não foi esclarecida. Relatos colhidos na vizinhança, entretanto, apontam para um possível histórico de violência frequente no ambiente familiar, ainda segundo o delegado Alisson Guimarães. As informações ainda estão sendo verificadas.
O caso é investigado pela polícia como feminicídio.
Comunicações com filho foram cortadas após morte na guerra da Ucrânia. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Natural de Açailândia, na Região Tocantina do Maranhão, Mateus Sandyel da Costa Campos, de 24 anos, deixou o Brasil, viajou por países da Europa e se voluntariou para integrar as forças militares da Ucrânia.
Segundo a mãe dele, Diana Silva, o jovem teria morrido na sexta-feira (31 de julho), durante um combate na guerra contra a Rússia. A morte, no entanto, ainda não havia sido confirmada oficialmente pelo Ministério das Relações Exteriores nem pelo Exército ucraniano.
Maranhense teria ido para guerra em março, segundo mãe. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Solteiro e sem filhos, Mateus chegou a cursar Engenharia Civil na Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), mas concluiu apenas um período da graduação.
Antes de ingressar nas forças ucranianas, o jovem compartilhava nas redes sociais registros de viagens e de trabalhos realizados em diferentes lugares da Europa, como Amsterdã, na Holanda, cidades da Bélgica e Paris, na França.
Viagem para a Ucrânia
Após passar por outros países europeus, Mateus decidiu viajar para a Ucrânia com a intenção de ser recrutado para atuar na guerra contra a Rússia. Segundo a mãe, ele se voluntariou para integrar as forças ucranianas em 26 de março deste ano.
Diana Silva afirmou que o filho teria recebido a promessa de uma bonificação pelo recrutamento, além de um bom salário, em um contrato com duração de seis meses. No entanto, de acordo com ela, o jovem encontrou uma realidade diferente ao chegar ao país.
Mateus teria passado por cerca de quatro meses de treinamento e ainda estava em período de experiência quando foi enviado para uma área de combate. Faltavam aproximadamente dois meses para o encerramento do contrato.
“Era um menino fora da curva”, diz mãe
A mãe descreveu Mateus como uma pessoa inteligente, carinhosa, corajosa e dedicada à família. Segundo ela, o jovem era querido por onde passava e costumava poupar os familiares das notícias mais difíceis sobre a guerra.
“Ele era um menino fora da curva. Era muito inteligente, com uma inteligência excepcional, um amor excepcional e um carinho excepcional. Por onde ele passava, era querido. Eu só podia admirá-lo. Eu só admirava o meu filho. Não o impedi, porque ele era homem, e eu admirava a sua coragem. Eu admirava o fato de o meu filho, tão jovem, ter assumido essa missão. Esse era o meu conforto: admirar a coragem dele. Mas eu não tinha noção de que ele passaria por isso. Meu filho era um menino muito bom e muito corajoso. Ele abdicou do conforto, da família e dos planos para lutar por outro país. Eu esperava que ele voltasse”, declarou.
Diana afirmou que admirava a coragem do filho ao decidir deixar o Brasil para participar do conflito, mas não tinha conhecimento da dimensão dos riscos enfrentados por ele.
Nas conversas com a família, Mateus evitava relatar os momentos mais difíceis vividos na Ucrânia. Segundo a mãe, ele falava principalmente sobre assuntos cotidianos e sobre os planos para quando retornasse ao Brasil.
Família foi avisada por outros brasileiros
A notícia da suposta morte foi divulgada por Diana no domingo (2 de agosto), por meio das redes sociais. Segundo ela, a informação foi repassada por brasileiros que estavam com Mateus na Ucrânia.
A mãe contou que passou vários dias sem contato com o filho, pois o telefone dele teria sido recolhido antes de uma missão. A família começou a desconfiar de que algo havia acontecido depois que um amigo publicou diversas fotos de Mateus nas redes sociais.
“Eu só fiquei sabendo que mataram o meu filho porque um colega avisou. Quando vi os stories de um amigo dele, vi várias fotos do meu filho e desconfiei. Esse amigo não falou nada. Ele estava se despedindo do meu filho por meio das fotos”, afirmou.
Posteriormente, outro companheiro de Mateus entrou em contato com uma das irmãs do jovem e comunicou a suposta morte. “Eu só fiquei sabendo porque um colega teve a compaixão de me comunicar”, afirmou Diana.
Corpo estaria em área de combate
De acordo com as informações recebidas pela família, o corpo de Mateus estaria em uma área de alto risco e sob controle das forças inimigas. Por causa das condições de segurança, os militares ainda não teriam conseguido retirá-lo do local.
Diana afirmou que o Exército da Ucrânia não teria reconhecido oficialmente a morte porque o corpo ainda não foi resgatado. Segundo o relato recebido pela família, os soldados teriam que percorrer cerca de 30 quilômetros carregando o corpo até um local onde um veículo pudesse levá-lo para uma base militar.
A mãe pretende buscar auxílio do consulado brasileiro e orientação jurídica para entender os procedimentos necessários. Inicialmente, a família desejava trazer o corpo para o Brasil, mas teria sido informada sobre as dificuldades e os custos elevados do traslado.
Uma das possibilidades seria o sepultamento de Mateus em um cemitério destinado aos militares mortos na guerra, na Ucrânia.
“No Cemitério dos Heróis, onde são enterrados os soldados mortos na guerra, pelo menos haverá esse reconhecimento. Mas isso não tira o reconhecimento que ele já tem aqui. Meu filho é um herói. Lembrem-se dele como um herói. A mãe do herói está aqui. Eu sou a mãe do herói”, declarou.
Mãe faz alerta a outros brasileiros
Durante o relato, Diana alertou brasileiros que estejam pensando em viajar para participar da guerra na Ucrânia.
“Então, fica o alerta para qualquer outra pessoa que esteja pensando em ir para lá: não vá. Lidar com esse luto não é fácil. O consulado não faz nada. Eles não fazem nada”, afirmou.
A mãe disse que continuará buscando informações sobre o resgate do corpo e sobre o reconhecimento oficial da morte.
“Mãe nenhuma deveria passar pelo que estou passando. Eu não desejo essa dor para ninguém. Não sabia que passaria por essa dor tão cedo. Nenhuma mãe quer enterrar um filho. Eu não sabia, gente, que passaria por isso. Nunca esperava receber essa ligação”, disse.
Segundo a SSP, o adolescente tinha um mandado de prisão em aberto e foi localizado durante uma operação policial realizada no bairro Vila Palmeira. Ainda de acordo com a secretaria, ele reagiu à abordagem, houve troca de tiros e o suspeito foi baleado. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
A SSP informou ainda que mais de 20 pessoas já foram identificadas como suspeitas de participação na ação criminosa. As investigações continuam para localizar os demais envolvidos e esclarecer a participação individual de cada investigado.
Polícia aponta vingança como principal motivação
Segundo as investigações, o ataque ocorreu porque criminosos ligados à facção Comando Vermelho procuravam o marido de Samira Costa Correia.
A principal linha de investigação aponta que o homem teria integrado a organização criminosa e, posteriormente, migrado para outro grupo, o que teria motivado uma ação de vingança. Ele, no entanto, nega ter feito parte da facção.
Como o alvo não estava na residência no momento da invasão, os criminosos teriam atacado os familiares que estavam no imóvel.
Marido passou a ser tratado como testemunha
A Secretaria de Segurança Pública informou que o marido de Samira colaborou com as investigações e passou a ser tratado como testemunha.
Segundo o órgão, ele auxiliou na identificação de suspeitos já presos e poderá ser incluído no Programa Estadual de Proteção a Testemunhas.
Relembre o caso
O crime aconteceu em 10 de julho de 2026, na zona rural de São João Batista, município localizado a 291 quilômetros de São Luís.
Segundo a Polícia Militar, cerca de 15 homens armados invadiram três imóveis pertencentes à mesma família. Apenas uma das casas estava ocupada, onde estavam Samira Costa Correia e o filho, Yan Kaleb Costa Santos.
De acordo com a investigação, os criminosos efetuaram disparos de arma de fogo e, em seguida, atearam fogo na residência. Os corpos das vítimas foram encontrados carbonizados.
A perícia busca determinar se mãe e filho morreram em decorrência dos disparos ou se ainda estavam vivos quando o incêndio foi provocado. As investigações seguem em andamento.
Para D. Pedro I, porém, a permanência das províncias do Norte sob domínio português colocava em risco a integridade territorial do novo país (Foto: Divulgação)
A adesão do Maranhão à Independência do Brasil, oficializada em 28 de julho de 1823, foi muito mais do que um ato político. Representou a incorporação definitiva da província ao projeto do nascente Império brasileiro e um passo decisivo para a consolidação da unidade territorial do país. Embora a ruptura com Portugal não tenha promovido mudanças sociais imediatas, preservando a monarquia, a escravidão e o poder das elites, marcou o início da integração do Maranhão à construção do Estado brasileiro.
Durante muito tempo, a Independência foi resumida ao célebre grito de D. Pedro às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822. No entanto, a emancipação brasileira foi um processo longo, marcado por conflitos, negociações e diferentes tempos de adesão nas províncias. O Maranhão esteve entre os últimos territórios a integrar o novo Império.
A demora em aderir explica-se pelos fortes vínculos políticos e econômicos da província com Portugal. A elite maranhense, formada por militares, comerciantes, altos funcionários e membros do clero, muitos deles portugueses, mantinha estreitas relações com Lisboa e via a separação política como uma ameaça aos seus interesses. Por isso, durante boa parte de 1822 e 1823, as autoridades locais continuaram obedecendo às determinações das Cortes portuguesas.
Para D. Pedro I, porém, a permanência das províncias do Norte sob domínio português colocava em risco a integridade territorial do novo país. A região era estratégica e sua perda poderia provocar uma fragmentação semelhante à ocorrida na América Hispânica. Diante desse cenário, o imperador contratou o experiente militar escocês Thomas Cochrane para organizar a Marinha Imperial e liderar a campanha contra as forças portuguesas.
Veterano da Marinha Real Britânica e das guerras de independência do Chile e do Peru, Cochrane chegou à Baía de São Marcos em 26 de julho de 1823. Utilizando uma de suas mais conhecidas estratégias, entrou no porto com a bandeira inglesa hasteada, levando os portugueses a acreditarem que se tratava de uma embarcação aliada. O brigue português Infante D. Miguel, enviado para recepcioná-lo, foi capturado sem resistência.
Na sequência, Cochrane enviou um ultimato à Junta Governativa, afirmando que uma grande esquadra imperial se aproximava da ilha e exigindo a rendição imediata. Tratava-se de um blefe. Na realidade, ele dispunha apenas da nau Pedro I. Sua reputação militar e a pressão exercida pelas tropas independentistas que avançavam pelo interior do Maranhão, vindas do Piauí e do Ceará, foram suficientes para convencer as autoridades portuguesas de que resistir seria inútil.
No dia 28 de julho de 1823, no Palácio do Governo, realizou-se a cerimônia oficial de adesão. D. Pedro I foi aclamado Imperador Constitucional do Brasil diante da Junta Provisória, representantes da Câmara, autoridades civis, militares e eclesiásticas. Cochrane não participou da solenidade, alegando problemas de saúde, mas sua atuação foi decisiva para o desfecho do processo. Segundo registros da época, ao final da cerimônia ecoaram vivas “à Religião Católica, ao Imperador, à Independência e à Constituição Brasileira”, repetidos pela população reunida diante do Palácio.
A incorporação do Maranhão representou uma etapa fundamental para a consolidação da Independência no Norte do Brasil. Sem a adesão das províncias setentrionais, dificilmente o projeto iniciado em 1822 teria mantido a integridade territorial que caracteriza o Brasil até hoje.
Passados 203 anos, o 28 de julho permanece como um dos marcos mais importantes da história maranhense. A data recorda que a Independência do Brasil não foi resultado de um único gesto simbólico, mas de um processo complexo, construído por meio de conflitos, negociações e diferentes experiências regionais, nas quais o Maranhão desempenhou papel decisivo para a formação do país.