
SÃO LUÍS – A tarifa de energia praticada pela Companhia Energética do Maranhão (Cemar) será a segunda mais alta do país a partir do dia 28 deste mês, quando entra em vigor aumento de 13,21% para o consumidor de baixa renda (B1), que corresponde a 87,58% dos clientes da concessionária. Em média, levando em conta também o consumidor industrial, a alta é de 12,88% e atinge os 2,3 milhões de consumidores da Cemar. A elevação foi homologada ontem durante Reunião Pública da Diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Pela decisão da diretoria da Aneel, para o consumidor de baixa renda (B1), a tarifa da Cemar, que era de R$ 0,496 o kWh passará para R$ 0,562 o kWh, perdendo apenas para as Centrais Elétricas do Pará (Celpa), cujo kWh custa R$ 0,599. Por coincidência, a Celpa, a exemplo da Concessionária maranhense, pertence ao Grupo Equatorial Energia. Para os consumidores de alta tensão (indústria/comércio) o aumento é de 11,49%.
Tanto a Cemar quanto a Aneel foram questionadas por O Estado pelo fato de o Maranhão ter uma tarifa de energia tão elevada para o consumidor de baixa renda (B1). A concessionária maranhense não concorda com o ranking da Aneel, por entender que não reflete os valores reais e finais pagos pelos consumidores maranhenses, além de não contemplar diferenças de tributos (ICMS, PIS/Cofins, Contribuição para Iluminação Pública).
A Cemar também alega que entre as concessões, o ranking não considera o desconto da Tarifa Social de Energia Elétrica de Baixa Renda (TSEE), que beneficia cerca de 900 mil consumidores maranhenses, e garante desconto médio de quase 50% na tarifa de energia elétrica. Esse benefício, segundo a Cemar, é excluído do ranking da Aneel que considera apenas a tarifa “cheia” do cliente residencial B1. Já a Aneel não se pronunciou.
Bandeiras
O aumento autorizado ontem pela Aneel vem se somar à cobrança extra das bandeiras tarifárias (atualmente é vermelha), como forma de recompor os gastos com a utilização de energia de usinas termelétricas e também à elevação nas alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), autorizada pelo Governo do Estado, sobre a energia elétrica – passou de 12% para 18% para até 500 quilowatts-hora por mês e de 25% para 27% no caso do consumo de energia superior a 500 quilowatts-hora. São sucessivos aumentos na conta de energia, que tem impactado no caixa das empresas e, principalmente, no bolso do consumidor.
Os percentuais de aumento homologados ontem, entretanto, são inferiores à proposta apresentada na audiência pública realizada pela Aneel em São Luís, no dia 6 de julho, que correspondia a 19,05% na conta dos consumidores residenciais (B1) e de 17,82% para a indústria.
Diferença
De acordo com o diretor relator do processo, André Pepitone, “a diferença se deve ao deslocamento das previsões do Encargo de Energia de Reserva (EER) e do risco hidrológico – itens que serão compensados na próxima movimentação tarifária da distribuidora via Compensação de Variação de Valores de Itens da Parcela A (CVA)”.
A revisão tarifária periódica reposiciona as tarifas cobradas dos consumidores após se analisar os custos eficientes e os investimentos prudentes para a prestação dos serviços de distribuição de energia elétrica, em intervalo médio de quatro anos.
O efeito médio da alta tensão refere-se às classes A1 (>= 230 kV), A2 (de 88 a 138 kV), A3 (69 kV) e A4 (de 2,3 a 25 kV). Para a baixa tensão, a média engloba as classes B1 (Residencial e subclasse residencial baixa renda); B2 (Rural: subclasses, como agropecuária, cooperativa de eletrificação rural, indústria rural, serviço público de irrigação rural); B3 (Industrial, comercial, serviços e outras atividades, poder público, serviço público e consumo próprio); e B4 (Iluminação pública).
Empresários recebem aumento com preocupação

















