Zequinha de Apolinário. Um Até Breve a Todos

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Zequinha de Apolinário. As boas lembranças jamais serão esquecidas, e, não foram poucas.

A felicidade parecia sempre estampar em seu rosto. Dificilmente era impossível saber quando ele estava chateado, pois, com raiva, nunca o vi. Certo dia quando o encontrei no Bar do Daniel, e ali dei uma palhinha ao lado de Josivan, ele virou pra mim e disse: “Não sabia que você cantava tão bem”. Depois disso jurou ser mais um fã.

Um dia chegou a comentar que no próximo evento que fosse realizar em sua residência, eu seria convidado especial e que preparasse o repertório. Eu até ensaiava no banheiro, mas nunca tive a oportunidade de presenteá-lo, mas calado com meu sentimento, assim como de muitos, serei substituído pelos os anjos que lhes cantaram lindas canções.

Que Deus o receba em Vosso Braços, senhor Zequinha de Apolinário.

Mais uma vez o poeta Samuel Barreto, que também é afilhado dele, prestou-lhe uma linda homenagem.

Uma Saudade

Hoje eu não queria que a dor fosse
Essa estranha coisa dentro de mim
Queria somente um violão
Para que aquela macia voz
Pudesse harmonizar
A boa música do seu canto.

Queria poder olhar o seu riso curto
Se tornando largo na alegria,
Depois ainda ter a grata satisfação
Dos bons relatos das estradas
Servindo a todos como lição.

Eu juro que queria muito,
Mas agora fui vencido pela dor da saudade!

Samuel Barrêto

Exclusivo: Raimundo Nonato, Apontado Pelo Menor Como Mentor do Assassinato do Jovem Messias, Foi Solto

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Raimundo Nonato Saraiva Leite – Suposto mandante do assassinato de Messias, colocado em liberdade

Manoel Messias da Silva, 14 anos, foi morto, esquartejado, coração arrancado e teve a cabeça decepada, no final da rua 03, no Parque Henrique, no bairro do Diogo, no dia 11 de abril. Três pessoas foram suspeitas de envolvimento na barbárie, que comoveu toda população de Pedreiras e Região, foram presas no dia seguinte ao crime. Depois de um grande trabalho realizado pela Polícia Civil de Pedreiras, que teria elucidado o crime em tempo recorde.

Um mês depois, o menor de 16 anos, que confessou tudo e ainda apontou os supostos comparsas, foi sentenciado a três(3) anos de internação pela Juíza titular da 3ª Vara da Comarca de Pedreiras, Drª Larissa Tupinambá.

Para a população, os outros dois envolvidos José Antônio de Sousa (Toinho) e Raimundo Nonato Saraiva Leite, estariam presos em Pedrinhas, aguardando o andamento do processo, mas hoje (30), o Blog, com exclusividade, vem informar a todos que o suposto mandante do assassinato, Raimundo Nonato Saraiva Leite, 36 anos de idade, está solto.

As informações que chegaram ao Blog, foi que por um erro da SEJAP (Secretaria da Justiça e da Administração Penitenciária), Raimundo Nonato teve que ser colocado em liberdade, mesmo já tendo sua prisão preventiva decretada.

O Blog, esteve hoje (30), no Fórum de Pedreiras, em busca de conversar com a Juíza titular da 2ª Vara da Comarca de Pedreiras, Ana Gabriela Ewerton, mas a mesma só deverá chegar à cidade na tarde de hoje (30) ou amanhã (31).

Vamos aguardar a manifestação dos órgãos de controle, que deverão apurar as responsabilidades sobre a soltura de Raimundo Nonato.

A população merece uma explicação!

Morre Jovem Que Foi Agredido Com Pauladas no Mutirão em Pedreiras

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Wanderson Santos “Andim” – Vítima

Um jovem morador da Rua Hosana Barroso, no bairro Mutirão, em Pedreiras, Wanderson Santos, conhecido como Andim, que foi agredido por pauladas no dia 26 (quinta-feira), feriado de Corpus Christi,  faleceu hoje (30) em Presidente Dutra. Ele estava internado em estado grave desde que foi agredido por Mário Lúcio da Silva Cutrim, conhecido como “Lucim”.

Segundo informações de moradores, toda confusão, que culminou na morte do jovem, foi por causa de uma dívida no valor de R$ 20,00 (vinte reais). Lucim teria ido cobrar a vítima, que não tinha dinheiro e ainda proferiu alguns palavrões ao cobrador. Minutos depois Andim teria se armado com uma faca e o agressor com duas pedras, que arremessou a primeira não acertando a vítima, mas na segunda tentativa o acertou nas costas, quando Andim caiu, segundo os moradores, foi agredido por Lucim, com várias pauladas, o deixando em coma.

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Mário Lúcio da Silva Cutrim “Lucim” – Suspeito

O caso foi registrado na 14ª DPC de Pedreiras.

Um Homem Morreu e Outro Foi Transferido Para Peritoró Após uma Briga

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Francivaldo Conceição “Sula” foi encontrado morto na carceragem da 14ª DRPC/Pedreiras

Uma discussão envolvendo dois homens terminou de forma trágica. A briga, segundo testemunhas, foi causada por bebedeira, por volta das 20:10h, de ontem (28), no Povoado Fazendinha (Lima Campos).

Francivaldo Conceição Borges “Sula”, teria aplicado um golpe de facão em Clenilton da Conceição Santos, que mesmo atingido partiu pra cima do agressor e tomando-lhe a arma, um facão, conseguiu golpeá-lo na região próxima ao pescoço.

Clenilton recebeu atendimento no hospital de Lima Campos, mas teve que ser transferido para Peritoró, onde continua internado em estado estável, segundo os médicos.

O acusado, Francivaldo, mesmo ferido conseguiu fugir, e resgatado por parentes foi atendido no hospital de Lima Campos, a guarnição ao comando do subtenente Henrique que contou com apoio do sargento J. Morais, GM Aírton Tomaz e GM Anacor fez a prisão de Francivaldo, após o mesmo passar pelos procedimentos médicos e ser liberado.

Trazido para Pedreiras, ficou preso no corredor da carceragem da 14ª Delegacia Regional de Pedreiras. Hoje (29), Francivaldo Conceição Borges foi encontrado morto no interior da carceragem.

A delegado de plantão Dra. Marília Vasconcelos disse ao Blog, que tomou todas as providências para saber a causa da morte. E deverá se pronunciar após a conclusão da ocorrência.

Em Um Ano, Quase um Milhão de Famílias Desceram de Classe Social

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Faz três meses que o pedreiro Maurício Paes de Souza tenta pagar a última prestação do Uno 2007, comprado há quatro anos. A parcela é de R$ 630, mas, sem emprego desde janeiro, com a mulher também desempregada e dois filhos para sustentar, ele corre o risco de perder o automóvel – assim como já perdeu tantas outras pequenas conquistas de consumo dos últimos anos. Aos poucos, Souza se dá conta de que não pertence mais à mesma classe social da qual chegou a fazer parte, como outros milhares de brasileiros.

Só no último ano, quase um milhão de famílias desceram um degrau na escala social.

Ao mesmo tempo, as classes mais pobres ganharam um reforço. Na categoria em que as famílias têm renda média de R$ 1,6 mil (C2), o incremento foi de 653,6 mil domicílios. Outras 260 mil famílias passaram a fazer parte das classes D e E, com renda média de apenas R$ 768.

“Porcentualmente, esse movimento é pequeno. Mas, em termos absolutos, estamos falando em um acréscimo de mais de 910 mil famílias nas classes pobres em apenas um ano. É um número expressivo”, afirma Luis Pilli, da Abep.

Um resultado que chamou a atenção é que a classe A, a mais rica e que conta com reservas financeiras e de patrimônio para se defender da alta da inflação e do desemprego, cresceu em 109,5 mil famílias no período. Com isso, ao todo, 1,023 milhão de domicílios, ou cerca de 4 milhões de pessoas, se movimentaram de alguma forma na escala social por causa da crise – a maioria, porém, perdendo o status anterior.

O que impressiona nessa crise, segundo Pilli, é a rapidez com que as famílias estão abrindo mão de itens como o segundo carro ou uma casa maior. “São decisões que geralmente demoram algum tempo para serem tomadas.”

O pedreiro Maurício Paes de Souza entende bem o que Luis Pilli está querendo dizer. Em pouco tempo, ele perdeu muita coisa. Quando comprou o carro usado, por R$ 15 mil, há quatro anos, costumava gastar R$ 700 por mês no supermercado, pagando à vista.

“Hoje, gasto a metade, procuro promoção e pego o cartão de um e de outro emprestado.” Os filhos comiam carne todo dia e tinha iogurte na geladeira. Agora, sem o salário de R$ 3,5 mil, “é arroz e feijão e, às vezes, falta dinheiro para comprar ovo.”

Em breve, o pedreiro pode perder o carro. “Ficam mandando mensagem de busca e apreensão, mas não adianta eu ir lá para conversar se não tenho dinheiro.”

Baque. Para Maurício de Almeida Prado, sócio-diretor da Plano CDE, consultoria especializada na baixa renda, os números da Abep indicam que quem está sentindo o baque da crise é principalmente a classe média. “Os estratos sociais que dependem do emprego formal foram os mais afetados”, explica. Os mais pobres, segundo ele, estão acostumados com a informalidade. “Eles se viram muito, fazem coisas em casa, vendem cosméticos, por exemplo. A classe média mais alta é dependente do emprego formal e tem dificuldade de gerar renda extra.”

Nesta atualização da distribuição das famílias por classe, feita pela Abep, foram usados dados dos principais institutos de pesquisas que visitaram as casas dos brasileiros em 2015 e no início deste ano para descobrir como andava o padrão de vida da população. A associação utiliza o Critério Brasil, que tenta estimar a renda permanente das pessoas por meio da posse de bens e de outros quesitos.

O coordenador do centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Menezes Filho, acredita que as famílias estejam se desfazendo dos ativos e por isso desceram degraus na pirâmide social. “Isso era esperado, porque a crise é muito forte”, diz. Ele ressalta, porém, que não há números oficiais do IBGE para avaliar esse movimento.

Renda. Já Adriano Pitoli, sócio da Tendências Consultoria Integrada, traça um cenário pior do que o da Abep. Ele estuda as mudanças na pirâmide social olhando apenas a renda monetária recebida pelos trabalhadores – e não a permanente, como fazem os institutos de pesquisa. Em estudo feito no final do ano passado, o economista da

Tendências apontava, com base em projeções, que 3 milhões de famílias desceriam um degrau na escala social em três anos, entre 2015 e 2017.

De lá para cá, com o agravamento da crise, Pitoli refez as contas e projetou que 4,2 milhões de famílias seriam devolvidas à base da pirâmide. Só no último ano, a baixa teria sido de 1,8 milhão de famílias.

Pitoli explica que os critérios do seu estudo e o da Abep são diferentes. Ele olha renda monetária, que tem um impacto mais imediato no padrão de vida das famílias. Já a Abep usa a renda permanente, medida pela posse de bens, que teoricamente, demora mais para aparecer.

“Mas o estrago está feito”, diz Pitoli. Segundo Pilli, da Abep, o País não voltou 20 anos atrás. “Mas, se continuarmos fazendo escolhas erradas, podemos retroceder.”

Por Márcia de Chiara (oestadão.com.br)

Jogador da NBA Morre Após ser Baleado no Abdômen

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Bryce Dejean-Jones, de 23 anos, jogador da NBA, morreu assassinado com um tiro – Divulgação

A NBA perdeu um de seus jogadores neste sábado de maneira trágica. Bryce Dejean-Jones, de 23 anos, atleta do New Orleans Pelicans, morreu em consequência de um tiro no abdômen. Ele estava em temprada de calouro, e tinha um contrato de três anos com o time. O jogador atuou 14 vezes, sendo que 11 delas como titular. Sua média de pontos era de 5,6 e a de rebotes, 3,4.

O crime aconteceu em Dallas, e não se sabe o que Jones, nascido em Los Angeles, fazia na cidade, já que joga em Nova Orleans. Segundo informações da polícia, o homem que deu o tiro contou que o jogador tentou invadir o apartamento dele. Segundo o relato do homem, ele estava dormindo quando escutou a porta ser arrombada e atirou no momento em que Jones a chutava.

O Pelicans se recusou a comentar as circunstâncias da morte do jogador. No comunicado, lamentou o fato: “É com profunda tristeza que a organização Pelicans reconhece a passagem repentina de Bryce Dejean-Jones. Estamos devastados com a perda da vida desse jovem, que tinha um futuro promissor pela frente. Nossos pensamentos e orações estão com a família de Bryce durante esse momento difícil”.

O jornal “Des Moines Register”, de Dallas, transcreveu assim o relatório da polícia sobre o caso: “Quando os policiais chegaram ao local descobriram que uma pessoa tinha sido baleada. O morador (do apartamento) disse que um indivíduo tinha arrombado a porta da frente e entrado em seu apartamento. O morador, que estava dormindo no quarto, ouviu o indivíduo e pegou a arma. Ele então começou a chamá-lo, mas não foi respondido. Como o indivíduo chutava a porta do quarto, o morador disparou a arma. O indivíduo deixou o apartamento e caiu no pátio do prédio. Foi então transportado ao hospital local, onde morreu por causa das lesões.”

Fonte: oglobo.com.br

Bandidos Explodem Agência Bancária em São Luís Gonzaga do Maranhão

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Agentes da Seic investigam explosão em caixas eletrônicos em São Luís Gonzaga do Maranhão (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Oito homens armados explodiram os caixas eletrônicos da agência do Bradesco na cidade deSão Luís Gonzaga do Maranhão, a 209 Km de São Luís, na madrugada deste sábado (28). Eles fugiram em quatro motos e não há indícios do paradeiro dos criminosos. A quantia levada não foi divulgada pelo banco.

Segundo informações da polícia, os bandidos atiraram contra uma viatura e um posto policial antes de fugirem. O veículo ficou completamente danificado.

Há um mês bandidos já haviam explodido a agência do Banco do Brasil na cidade. Segundo informações da polícia, na ocasião os bandidos desligaram o alarme e o sistema de videomonitoramento. Logo após os criminosos cortaram o cofre com a ajuda de um maçarico e levaram toda a quantia que estava no banco.

Com a ação desta madrugada, os moradores da cidade ficaram sem agência bancária para realizar transações. O ano de 2016 já acumula 22 roubos a banco.

Municípios atacados em 2016
Na lista de cidades atacadas neste ano estão: Alto Alegre do Pindaré, Igarapé Grande, Bacuri,Maracaçumé, Icatu, Grajaú, Alcântara, Paulo Ramos, Paraibano, Araguanã, Duque Bacelar,Tufilândia, Peri Mirim, Colinas, Nova Olinda do Maranhão, Santa Luzia do Tide e São Luís Gonzaga do Maranhão.

Fonte: g1.maranhao.com/imirante.com.br

A Cultura de Estupro!!!

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Ricardo Costa Gonçalves – Professor

Foram 33 homens, em nenhum instante um deles para refletir sobre o que estavam fazendo? Pelo contrário, eles fizeram, e mostraram com o orgulho o feito, como se fosse um troféu. Compartilharam vídeos e imagens do corpo da jovem dilacerado depois do estupro nas redes sociais e tiveram centenas de “likes” e comentários de aprovação.

Mas, o que fez estes homens se sentirem confortáveis para fazer o que fizeram e acreditar que não seriam punidos? Foi preciso acontecer um caso emblemático desse para que possamos refletir sobre a cultura de estupro. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ocorre um estupro a cada 11 minutos no Brasil. E apenas 10% dos casos são denunciados porque normalmente as mulheres têm medo de denunciar os agressores.

O estupro é o crime que monstra quem manda na sociedade. Este permite ao homem mostrar que a mulher é inferior, que para ele não existe limites, ele pode invadir o corpo alheio porque a sociedade ensina a todos os dias as mulheres a se defenderem e não os homens a não atacarem.

Este caso reacende o debate sobre um termo chamado de “cultura de estupro”. Mas, afinal o que é a cultura de estupro? Comerciais de cerveja, preservativos e marcas de grife que mostram com naturalidade uma mulher submissa servem para fortalecer a cultura de estupro. Piadas machistas endossam a cultura de estupro. Erotização infantil contribui para a cultura de estupro. Em suma, uma sociedade que questiona a vítima e não o agressor, foi moldada por uma cultura de estupro.

Recentemente, o deputado Jair Bolsonaro, quando da votação do impedimento da presidente Dilma na Câmara Federal exaltou o torturador Brilhante Ustra. Uma das atrocidades praticadas frequentemente contra as mulheres presas por ele era o estupro. É o mesmo deputado que proferiu a frase “não te estupro porque você não merece” à deputada Maria do Rosário (PT).

Além disso, Bolsonaro, juntos com outros deputados da bancada bíblia, entre eles Marco Feliciano, defendem um projeto de lei que impede o atendimento de vitimas de estupro no SUS. Eles oficializam a “culpa das mulheres” e colocam sobre suspeita a palavra de quem sofreu a violência.

O crime praticado por esses homens que chocou o país é resultado de uma sociedade que não empodera as mulheres. Nenhum de nós pode imaginar o que essa menina sentiu. Podemos pensar na dor, na humilhação, no medo, na vergonha, mas jamais teremos a dimensão do quanto à vida dela ficará marcada para sempre. Não podemos mudar o que aconteceu, infelizmente, mas podemos lutar juntos para que a cultura de estupro acabe agora. Uma comoção nacional nos faz lutar contra este crime, mas devemos fazer isso todos os dias, até que nenhuma mulher mais seja vítima de qualquer tipo de violência simplesmente pelo fato de ser mulher.

Ricardo Costa Gonçalves
Graduado em Matemática, professor, ex-secretário de educação de Pedreiras, ex-superintendente adjunto do INCRA-MA, mestrando em Estado e Políticas Públicas pela FPA/FLACSO.

Moro Alerta Sobre Tentativa de Retorno ‘ao Status quo da Impunidade’

Brazilian Federal judge Sergio Moro participates in the Economic Forum in Sao Paulo, Brazil, on May 23, 2016. Moro heads the corruption investigation in the state-owned oil company Petrobras, known as Operation Car Wash. / AFP / NELSON ALMEIDA
                            Juiz Federal Sérgio Moro

O juiz federal Sergio Moro, que conduz os processos da Operação Lava-Jato, criticou na quinta-feira (27/5) dois projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados, que impedem o fechamento de acordos de delação premiada com alvos presos e que alteram a nova regra jurídica que prevê a prisão de réus condenados em segundo grau, como um retrocesso no combate à corrupção e aos crimes do colarinho branco no País.

“Eu fico me indagando se não estamos vendo alguns sinais de uma tentativa de retorno ao status quo da impunidade dos poderosos”, afirmou Moro, em conferência no XII Simpósio Brasileiro de Direito Constitucional, evento da Academia Brasileira de Direito Constitucional, na noite de quinta, em Curitiba.

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“Em determinado ponto, a Mãos Limpas (operação italiana similar à Lava-Jato), perdeu o apoio da opinião pública. E a reação do poder político foi com leis, como as que proibiam certos tipos de prisão cautelar ou que reduziam penas.”

Projetos

Os alvos das críticas de Moro foram dois projetos de lei propostos este ano pelo deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), um dos interlocutores gravados em conversas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março, tentando obstruir as investigações da Lava Jato.

Um deles é o projeto de lei 4577/2016 que altera decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que estipulou a prisão de réus condenados após a decisão final no segundo grau, ainda cabendo recursos no processo. “Se pode comentar que essa exigência do trânsito em julgado não tem por objetivo proteger necessariamente os acusados mais abastados, mas todos. Mas a grande verdade, isso é inegável, é de que a proteção aqui não é dirigida ao João da Silva, mas sim a uma gama de pessoas poderosas que por conta de regras dessa espécie, por muito tempo foram blindados de uma efetiva responsabilização criminal nas nossas cortes de Justiça.”

O segundo tema abordado por Moro na palestra foi a proposta de lei 4372/16, que quer a proibição de colaboração premiada por pessoas que estejam presas. “Será que nós podemos de uma maneira consistente, qual o direito da defesa na nossa Constituição, negar ao colaborador, por estar preso, o recurso a esse mecanismo de defesa? Como é possível justificar isso?”, questionou juiz.

“Eu fico pensando ‘mas isso é consistente com o direito a ampla defesa?’. Será que a colaboração premiada não tem que ser analisada de duas perspectivas? Na do investigador que quer colher as provas, mas também na perspectiva do acusado e do investigado e sua defesa?”

Moro não citou o nome do deputado, autor das propostas, falou em “coincidência” que os dois projetos sejam de uma mesmo autor membro do PT.

“Quando nós escutamos essas questões nós temos que ter em mente que não estamos discutindo conceitos jurídicos abstratos, mas realidades de vida. Precisamos pensar o nosso direito penal e o processo penal de maneira que eles funcionem. Não com objetivo de alcançar condenações criminais, mas naquelas casos em que for provado no devido processo a prática de um crime, tem que existir consequências, e tem que ser proporcional à gravidade do crime.”

“Como chegamos a esse ponto? O que deu errado?” Para Moro, o processo penal da Justiça brasileira tem sua parcela de culpa. “Talvez essa leniência seja um dos fatores para chegar ao quadro atual, que é realmente muito preocupante”, disse. “A corrupção existe em qualquer lugar do mundo. Mas é a corrupção sistêmica não é algo assim tão comum.”

Fonte: correiobraziliense.com.br

Quatro suspeitos de estupro coletivo no PI são soltos após decisão judicial

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Delegado Aldely Fontineli (Foto: João Vitor/Portal B1)

Os quatro adolescentes apreendidos por suspeita de terem embriagado e estuprado uma garota de 17 anos em Bom Jesus, no Sul do Piauí, foram liberados nesta sexta-feira (27) após determinação judicial. Na sentença, o juiz Eliomar Rios Ferreira justificou que os menores têm bons antecedentes e a soltura deles não representaria risco para a sociedade e nem prejudicaria o andamento do processo. Apenas o jovem de 18 anos foi mantido preso e encaminhado ao presídio da cidade.

A vítima de 17 anos foi encontrada em uma obra abandonada no sábado (21), amarrada e amordaçada com a própria calcinha. Ela chegou a contar que foi conduzida ao local e violentada pelos cinco suspeitos. Populares socorreram a vítima, que foi encaminhada para o hospital de Bom Jesus e liberada após avaliação psicológica.

Na quarta-feira (25), a promotora de Justiça Gabriela Santana havia solicitado a internação dos quatro adolescentes para o Centro Educacional Masculino (CEM) em Teresina, depois que o laudo médico confirmou o abuso sexual na vítima. Apesar do exame, o juiz Eliomar Rios Ferreira negou o pedido do Ministério Público Estadual e decidiu por liberar os menores, mas marcou uma audiência do processo para o dia 1º de junho.

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Quatro adolescentes estavam detidos na delegacia de Bom Jesus (Foto: João Vitor/Portal B1)

Para o delegado Aldely Fontineli, responsável pelo caso, a liberação dos quatro adolescentes também foi motivada pelo excesso de prazo dado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que permite a permanência de menores na delegacia por até cinco dias. Ele revelou aoG1 não ter dúvidas da participação dos suspeitos no estupro coletivo.

“O jovem assumiu ter dito conjunção canal com vítima e detalhou a participação dos demais no crime. Inclusive dois dos menores, no calor da emoção, também confessaram o estupro e no dia seguinte apresentaram uma outra versão idêntica. Não há dúvidas do envolvimento dos adolescentes, a própria vítima confirmou que eles também cometeram o crime. Resta agora esperar o resultado dos exames dos espermas coletados na garota, que vão confirmar o estupro coletivo”, declarou.

A ONU Mulheres divulgou um comunicado na quinta-feira (26) solidarizando-se com as duas adolescentes que foram vítimas de estupro coletivo nos últimos dias no Brasil, uma no Rio de Janeiro e outra em Bom Jesus, Piauí. O braço da organização internacional no Brasil pede à sociedade brasileira “tolerância zero a todas as formas de violência contra as mulheres e a sua banalização”.

Menores negam participação
Em depoimento para promotora de Justiça Gabriela Almeida de Santana, os adolescentesnegaram o estupro coletivo e relatam ter visto a garota sendo abusada pelo jovem de 18 anos, que estava na companhia deles. Eles também confirmaram que a vítima ingeriu bebida alcoólica e estava desorientada.

“Eu questionei se eles não fizeram nada para impedir e os quatro declararam achar normal o ato, mesmo com a vítima embriagada e sem condições de responder por si. Eles relataram com riqueza de detalhes a vítima reclamando da sensação de tortura e vomitando. Só que eu achei estranho alguém ir em uma obra abandonada para apreciar a paisagem, como os adolescentes alegam. Tudo indica que os menores combinaram a mesma versão e foram ao local para fazer uso de droga”, revelou a promotora.

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Vítima foi atendida no Hospital de Bom Jesus (Foto: João Vitor/Portal B1)

Depoimento da vítima
Gabriela Almeida de Santana revelou ter ouvido também a garota, que ainda está em estado de choque. A vítima disse não se recordar o que aconteceu depois de ter passado mal e confirmou que todos ingeriram bebida alcoolica, sendo que dois dos suspeitos usaram droga.

“O laudo médico confirmou o abuso, mas somente um exame de DNA vai provar o estupro coletivo. Já conversei com o delegado e vamos solicitar o teste, assim como ouvir testemunhas e os socorristas do Samu. Pedi também ao Creas a realização de um estudo social das famílias desses menores para saber em quem meio eles estão inseridos e como isto pode influenciar na pena”, disse.

Vitima e suspeitos eram amigos
Na segunda-feira (24), o delegado Aldely Fontineli, que investiga o caso, revelou ao G1 que a vítima do estupro coletivo e os cinco suspeitos do crime tinham vínculo de amizade. Segundo ele, a adolescente de 17 anos e os envolvidos se conheciam e por isso estavam bebendo juntos. A polícia suspeita que alguma substância tenha sido colocada na bebida da jovem.

“A vítima bebia sozinha, depois de ter brigado com o namorado, quando os suspeitos se aproximaram para fazer companhia a ela. Em determinado momento, a menina ficou completamente bêbada e eles realizaram o ato criminoso”, contou.

Estupro coletivo em Castelo do Piauí
No dia 27 de maio de 2015, quatro adolescentes foram vítimas de estupro coletivo em Castelo do Piauí. Quatro garotos suspeitos de violentarem as meninas foram condenados pela Justiça a cumprir medida socioeducativa por participação no crime. Adão José Silva Sousa está preso, mas ainda não foi julgado.

No mês em que o estupro coletivo completa um ano, o G1 conseguiu entrevistar com exclusividade os três adolescentes. Eles alegam inocência e dizem que confessaram o crime após serem torturados pela polícia.

Neste primeiro ano após o crime, as garotas deixaram a antiga escola em Castelo e passaram morar e estudar em Teresina. Conquistaram novos amigos e pretendem fazer o Exame do Ensino Médio (Enem) em novembro.

Na Casa de Detenção Provisória de Altos, o G1 também conversou com o homem apontado pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual como o suspeito de ser o mentor do estupro coletivo contra quatro garotas em Castelo. Adão José Silva Sousa, de 42 anos, alega inocência, diz que não estava na cidade no dia do crime.

Fonte: g1piaui.com.br